đ„đ„ DocumentĂĄrio âO Primeiro Beijoâ escancara violĂȘncia estrutural e resistĂȘncia de mulheres negras âđŸ
Filme narra dependĂȘncia quĂmica como ferramenta de extermĂnio e reivindica polĂticas pĂșblicas urgentes
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Filme narra dependĂȘncia quĂmica como ferramenta de extermĂnio e reivindica polĂticas pĂșblicas urgentes
O lançamento do documentĂĄrio âO Primeiro Beijoâ, da cineasta baiana UrĂąnia Munzanzu, promete sacudir debates sobre raça, gĂȘnero, polĂticas pĂșblicas e a forma como o Brasil enxerga â e abandona â mulheres negras em situação de dependĂȘncia quĂmica. O longa, que estreia nacionalmente no dia 20 de novembro, durante o Dia da ConsciĂȘncia Negra, chega Ă s telas como um manifesto polĂtico que transforma dor em narrativa e denĂșncia em memĂłria coletiva.
Fruto de 14 anos de pesquisa, o filme mergulha na realidade de mulheres negras perifĂ©ricas que enfrentam o crack como uma âtecnologia moderna de escravizaçãoâ, nas palavras da diretora. A expressĂŁo âprimeiro beijoâ, usada pelas prĂłprias entrevistadas para definir o primeiro contato com a droga, simboliza o impacto imediato e devastador de uma experiĂȘncia que se confunde com violĂȘncia, afeto interrompido e sobrevivĂȘncia em meio ao abandono institucional.
A produção â que conta com a participação especial da voz de Elza Soares, narrando o poema Canarinhas da Vila, de LandĂȘ Onawale â coloca em primeiro plano relatos marcados por coragem e lucidez. A ausĂȘncia de polĂticas pĂșblicas, a violĂȘncia racial e de gĂȘnero, o feminicĂdio e as engrenagens que estruturam as chamadas âcracolĂąndiasâ sĂŁo expostos sem estigmatização: o foco estĂĄ na humanidade das mulheres, nĂŁo na espetacularização da dor.
Com trilha original de Jarbas Bittencourt e equipe majoritariamente negra, o filme reĂșne produçÔes associadas assinadas por LĂĄzaro Ramos e Thiago Gomes, reforçando a proposta estĂ©tica e polĂtica de colocar a narrativa de volta Ă s mĂŁos de quem vive a realidade retratada. UrĂąnia conta que fez questĂŁo de retirar as mulheres dos ambientes de vulnerabilidade e conduzir as entrevistas em um teatro: um espaço limpo, seguro, digno, que desarma o olhar e permite que suas histĂłrias emerjam sem exploração.
O documentĂĄrio nasceu em 2006, quando UrĂąnia, entĂŁo jornalista, foi abordada por Rilda, que insistiu para que sua vida fosse registrada: âEu vou morrer, mas antes disso quero falar dessa drogaâ. A partir desse encontro, o filme se constrĂłi como testemunho, escuta e compromisso polĂtico. âA linha que me separava de Rilda era muito tĂȘnue. Entendi que tinha um compromisso com minha comunidadeâ, explica a diretora.
A coprodutora Susan Kalik reforça que a obra convida o pĂșblico a compreender o crack dentro da lĂłgica necropolĂtica do paĂs â uma estrutura que produz, abandona e silencia. âĂ um filme sobre dororidade, mulheridades e âsobre vivĂȘnciaââ, define.
âO Primeiro Beijoâ Ă© produzido pela AcarajĂ© Filmes, em parceria com ModupĂ© Produtora Audiovisual e Mulungu RealizaçÔes Culturais, com distribuição da Olhar Filmes. O projeto foi contemplado pelos Editais Paulo Gustavo Bahia, com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia e do MinistĂ©rio da Cultura.
âUm filme que vira grito.â O Primeiro Beijo revela a força e a dor de mulheres negras que enfrentam o crack e o abandono do Estado. Estreia 20/11. âđŸâš #CinemaNegro #ConsciĂȘnciaNegra
#DireitosHumanos #MulheresNegras

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