Oruam rompe o silêncio e cobra responsabilidade diante da violência no Rio
Desabafo expõe tensão entre crime, juventude e cultura periférica
O Rio de Janeiro amanhece, mais uma vez, atravessado por sirenes, relatos de assaltos e luto cotidiano. Em meio a esse cenário de insegurança crescente, a voz que ecoou não veio das autoridades nem dos relatórios oficiais, mas das redes sociais. O cantor Oruam decidiu falar. E falou direto, sem rodeios, mirando jovens envolvidos em roubos que têm transformado a rotina da cidade em um campo de medo constante.
O artista usou seus perfis para criticar a escalada de assaltos que vêm resultando em episódios de violência extrema e mortes de trabalhadores. Em tom de desabafo, a mensagem foi clara: há um limite entre retratar a realidade e ser engolido por ela. “O papo vai para os ‘menor’ do roubo, que estão roubando o Rio de Janeiro todo aí. Pega a visão, vocês estão fazendo feião”, disse, em linguagem direta, própria das ruas que ele conhece e canta.
Oruam não falou em abstrações. Apontou para vítimas concretas, para o impacto real da violência no cotidiano. “Estão roubando e matando vários trabalhadores na rua. Matando pai de família por causa de uma moto”, afirmou. A frase corta como um retrato cru da cidade: vidas interrompidas por crimes que, muitas vezes, começam pequenos e terminam irreversíveis.
Filho de Marcinho VP, um dos líderes históricos do Comando Vermelho, Oruam carrega uma biografia que frequentemente antecede sua obra. E é justamente desse lugar ambíguo — entre o palco e o estigma — que surge sua crítica mais sensível. Para ele, a violência não recai apenas sobre quem sofre diretamente, mas também sobre artistas que narram a realidade das periferias e acabam responsabilizados por ela.
“O bagulho, a responsabilidade, está caindo para mim, para nós que somos artistas e cantamos a realidade da favela”, afirmou. A fala revela uma tensão antiga: quando o crime avança, a cobrança pública recai sobre quem transforma vivência em música, como se a arte fosse culpada pelo caos que apenas descreve.
O desabafo de Oruam não oferece soluções fáceis nem discursos prontos. Ele expõe uma fratura aberta na cidade, onde juventude, violência e abandono social se misturam. Ao cobrar responsabilidade, o cantor tenta deslocar o debate: da romantização do crime para a urgência de preservar vidas.
No fim, sua fala não é apenas um alerta, mas um pedido de pausa. Para pensar, ouvir e escolher outros caminhos. Porque, quando a violência se normaliza, todos perdem — inclusive quem canta para sobreviver a ela.
Quando a realidade pesa, a voz também cobra: Oruam fala sobre violência e responsabilidade no Rio. #ViolênciaUrbana #CulturaPeriférica
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