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Vanessa Queiroz e o design como gesto de ocupação e permanência

Liderança feminina redesenha estruturas no design brasileiro

Vanessa Queiroz transforma o design em espaço de liderança, narrativa e permanência feminina. Uma trajetória que reposiciona estruturas criativas. #Linkezine ✨

A história do design brasileiro não se constrói apenas por objetos ou estilos, mas por quem ousou ocupar espaços quando eles ainda pareciam interditados. De Lygia Pape a Maria Lídia Magliani, mulheres ampliaram limites conceituais e institucionais do campo criativo. É nessa linhagem — menos celebrada do que deveria, mas profundamente transformadora — que se inscreve a trajetória de Vanessa Queiroz.

Fundadora do Colletivo Design ao lado de Fábio Couto, David Bergamasco e Marcelo Roncatti, Vanessa conduz há 22 anos um estúdio que entende o design como ferramenta de organização do mundo. Não apenas estética, mas estratégia, narrativa e poder simbólico. Sua carreira se construiu pela constância, pela adaptação e pela leitura atenta de um mercado historicamente marcado por hierarquias rígidas e lideranças pouco diversas.

“Quando comecei, empreender não era exatamente uma pauta, especialmente para mulheres, e menos ainda no design”, lembra. A decisão de abrir um estúdio surgiu ainda na faculdade, quase como um gesto intuitivo. Faltavam referências, sobrava vontade. Durante muito tempo, a presença feminina em ambientes majoritariamente masculinos era interpretada como exceção tolerada, não como protagonismo legítimo.

Esse entendimento mudou com o tempo — e com a prática. Antes mesmo da fundação do Colletivo, Vanessa passou a reconhecer o peso de ocupar uma posição de liderança. “Hoje, tenho plena consciência de que sou empresária, e isso faz diferença”, afirma. Para ela, a forma como mulheres lideram, decidem e constroem relações de trabalho produz efeitos que extrapolam o organograma e reverberam na cultura interna dos estúdios.

Os números ajudam a dimensionar essa escolha. Atualmente, 68% dos cargos do Colletivo Design são ocupados por mulheres, um contraste evidente com o cenário mais amplo: no Brasil, apenas 17,4% das organizações têm mulheres na presidência, e globalmente cerca de 33,5% dos cargos de liderança são femininos. No estúdio, esse equilíbrio não nasceu de uma política formal, mas de um processo orgânico. “O escritório cresceu junto com mulheres em posições de liderança”, explica. “Há um cuidado e uma responsabilidade que impactam diretamente o trabalho.”

Um momento simbólico consolidou essa percepção: uma mesa-redonda do Dia da Mulher, no Museu da Casa Brasileira, onde Vanessa era a única diretora presente. “Ali ficou claro que ocupar certos espaços exigia movimento consciente, escolhas e busca ativa por conhecimento”, recorda.

Sua trajetória não segue uma linha reta. É feita de ajustes, reafirmações e do esforço constante de transformar estruturas herdadas. No Colletivo, isso se traduz em projetos que entendem o design como construção de narrativas atravessadas por dimensões culturais, sociais e políticas — ainda que sutis.

Os resultados acompanham esse posicionamento. Oito projetos do estúdio já foram premiados no Prêmio Brasileiro de Design, com reconhecimentos em Bronze, Prata e Ouro. Mais do que troféus, os prêmios sinalizam algo maior: quando diversidade deixa de ser discurso e passa a ser estrutura, a criação ganha fôlego, alcance e permanência.

 

Quando liderar também é desenhar caminhos: a trajetória de Vanessa Queiroz no design brasileiro. #MulheresNoDesign #DesignBrasileiro

 

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