Quando o sertão se caminha: literatura, território e travessia
Jornada literária celebra 70 anos de Grande Sertão: Veredas
Há livros que não se esgotam na leitura. Eles permanecem reverberando, pedindo tempo, silêncio e deslocamento. Publicado em 1956, Grande Sertão: Veredas é um desses raros casos em que a obra ultrapassa o papel e se impõe como experiência de vida. Setenta anos depois, o romance de João Guimarães Rosa segue provocando leitores, não apenas pela invenção linguística, mas pela maneira como ilumina conflitos, escolhas e ambiguidades da condição humana.
É nesse espírito que nasce a Travessia Literária “Grande Sertão: Veredas”, realizada entre 20 e 24 de maio de 2026 pela NomadRoots, produtora especializada em viagens com conhecimento. Inspirada no universo rosiano, a proposta convida leitores a sair do lugar comum e entrar no sertão não apenas como cenário geográfico, mas como vivência sensível, simbólica e coletiva.
O percurso atravessa áreas do Parque Nacional Grande Sertão: Veredas, com acesso por caminhos exclusivos a partir da Pousada Trijunção, reservada integralmente para o grupo. Localizada no encontro entre Goiás, Minas Gerais e Bahia, a pousada ocupa um ponto emblemático do território brasileiro. Ali, fronteiras se diluem e o afastamento do cotidiano cria espaço para outro tipo de escuta — mais lenta, mais atenta.
A viagem tem início em Brasília, que funciona como portal simbólico. Do traço moderno da capital ao coração do Cerrado, o contraste prepara o corpo e o olhar para o que vem depois. Ao chegar à Trijunção, o tempo desacelera. Caminhadas, pausas, leituras e conversas se organizam em diálogo direto com a paisagem e com os modos de vida locais, apresentados por guias especialistas que revelam camadas invisíveis do território.
Para quem retorna, a experiência nunca se repete. “Cada edição é diferente porque o sertão nunca se apresenta da mesma forma, e quem caminha também não”, afirma o professor e escritor Chico Escorsim. A jornalista Rafaella Silva reforça: “O livro está sempre presente, mas surge nos intervalos, nas conversas, nos detalhes do caminho. Há compreensões que só acontecem com o corpo em movimento”.
Desde 2021, a travessia reúne pequenos grupos em encontros marcados pela contemplação e pela escuta. A edição de 2026 ganha peso simbólico ao coincidir com as celebrações dos 70 anos do romance, período em que Grande Sertão: Veredas volta ao centro do debate cultural brasileiro.
Mais do que reler Rosa, a proposta é vivenciá-lo. Porque o sertão, como o próprio autor ensinou, não termina no mapa — ele continua dentro de quem se dispõe a atravessá-lo.
Há livros que se leem. Outros, se caminham. O sertão chama. #LiteraturaBrasileira #TurismoCultural
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