Fevereiro no Museu Afro Brasil: exposições em despedida e caminhos que seguem
Últimas visitas e mostras em cartaz até março de 2026
Em meio ao vai e vem do Parque Ibirapuera, fevereiro convida a uma pausa menos óbvia. Entre árvores, bicicletas e blocos que começam a ensaiar o Carnaval, o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo propõe outro ritmo: o da escuta atenta, da observação cuidadosa e do encontro com narrativas que ajudam a compreender o Brasil a partir das culturas negras. O mês marca um ponto de virada na programação da instituição, com exposições que se despedem do público e outras que seguem abertas até março de 2026.
O percurso pelas salas do museu revela uma diversidade de linguagens — fotografia, arte têxtil, instalação, videoperformance — organizadas como um convite à desaceleração. Para quem já frequenta o espaço, é tempo de revisita. Para quem ainda não entrou, fevereiro funciona como porta de entrada para um acervo vivo, em constante diálogo com o presente.
Entre as exposições que entram em seus últimos dias, Orquestra, de Xirumba, ocupa a área externa sob a Marquise do Ibirapuera e transforma o espaço público em palco e arquivo. As fotografias destacam figuras centrais da cultura popular brasileira, como Dona Selma do Coco, Lia de Itamaracá, Miró da Muribeca e Mestre Salustiano. Com curadoria de Ariana Nuala e Rosa Couto, a mostra reafirma a rua como território de memória, celebração e encontro. O acesso é livre e a visitação segue até 22 de fevereiro.
Também se despede Como a Terra Respira, primeira exposição individual de Isa do Rosário em um museu. Reunindo cerca de vinte obras entre pinturas, colagens têxteis, bordados e bonecas abayomi, a mostra articula espiritualidade, corpo e ancestralidade em três núcleos: Orixás, Serpentes e Negritude/Religiosidade. O eixo conceitual está no movimento subterrâneo das serpentes, metáfora para os gestos invisíveis que sustentam a vida e fazem a terra “respirar”.
Para quem deseja prolongar a experiência, outras exposições seguem em cartaz. A História Inventada e a Invenção de Histórias, de Roméo Mivekannin, reúne 41 obras que dialogam com a história da arte e as narrativas da diáspora africana. Já Silêncio Retumbante, de Izidorio Cavalcanti, investiga o branco como estrutura simbólica e política, tensionando apagamentos e memórias silenciadas.
As exposições de longa duração, como Singular Plural — Rubem Valentim e Popular, Populares, completam o percurso, ampliando o olhar sobre arte, identidade e cultura popular. Em fevereiro, o Museu Afro Brasil se apresenta como um espaço de travessia: entre despedidas e permanências, entre passado, presente e futuros possíveis.
Entre despedidas e permanências, um convite para olhar o Brasil com mais tempo. #ArteBrasileira
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