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Ònà Irin segue aberta: quando a arte vira trilho entre memória e futuro

Mostra de Nádia Taquary fica no Sesc até abril

Mostra Ònà Irin é prorrogada no Sesc Belenzinho e aprofunda o diálogo entre arte, ancestralidade e força feminina negra. #Linkezine ✨

 

Algumas exposições não se encerram na data prevista. Elas pedem mais tempo, como quem ainda tem histórias a contar. É o caso de Ònà Irin: caminho de ferro, mostra individual da artista baiana Nádia Taquary, que acaba de ser prorrogada no Sesc Belenzinho, em São Paulo, e permanece em cartaz até 26 de abril de 2026. A decisão vem na esteira da forte resposta do público, que transformou a visita em travessia sensível entre arte, ancestralidade e espiritualidade.

Desde a entrada, o percurso convida à escuta do que não é imediato. Ònà Irin — expressão iorubá que evoca trilhos, deslocamento e passagem — estrutura a exposição como um caminho simbólico, onde criação, tempo e forças invisíveis se entrelaçam. A curadoria de Amanda Bonan, Ayrson Heráclito e Marcelo Campos reforça esse movimento, propondo uma experiência que ultrapassa o olhar e envolve corpo, memória e rito.

Reunindo 22 obras produzidas ao longo da trajetória de Taquary, a mostra articula esculturas, objetos-esculturas, instalações e uma videoinstalação. O conjunto revela a pesquisa contínua da artista sobre a cosmologia afro-brasileira e, sobretudo, sobre a centralidade do feminino negro nos mitos de criação. Materiais como búzios, miçangas, palhas e metais aparecem não apenas como matéria-prima, mas como portadores de sentido, carregando histórias de fé, proteção e resistência.

A origem desse percurso remonta a 2010, quando Nádia Taquary inicia sua investigação sobre a joalheria afro-brasileira, em especial as pencas de balangandãs usadas por mulheres negras na Bahia dos séculos XVIII e XIX. O que antes ornava o corpo como símbolo de autonomia e espiritualidade, hoje se expande em obras de escala ritual, nas quais o sagrado se manifesta em formas híbridas e potentes.

Em São Paulo, a montagem ganha nova ambientação e intensifica sua dimensão sensorial. O público é conduzido por uma espécie de travessia, como se cada obra fosse um ponto de passagem entre o visível e o invisível. “Essa mostra não organiza conhecimento sobre arte, mas trata da vida”, afirma o curador Marcelo Campos, ao destacar a presença feminina como força criadora e princípio de mundo.

Ao ocupar um espaço como o Sesc Belenzinho, Ònà Irin amplia seu alcance e reafirma sua vocação de encontro. Não se trata de uma retrospectiva, mas de um fluxo contínuo, onde passado, presente e espiritualidade caminham lado a lado. A prorrogação, mais do que uma extensão de calendário, confirma que há caminhos que seguem abertos enquanto fazem sentido — e este ainda tem muito a oferecer.

Trilhos de arte, memória e espiritualidade seguem abertos no Sesc Belenzinho. #ArteContemporânea #CulturaAfroBrasileira

 

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