Quando a imagem abandona o espelho e ocupa o corpo em Curitiba
Eder Santos transforma vídeo em presença na CAIXA Cultural
Há exposições que se observam à distância. Outras, como A imagem não serve, pedem algo mais íntimo: atravessar, sentir, deslocar o olhar. A partir de 10 de fevereiro, a CAIXA Cultural Curitiba abre espaço para a primeira mostra individual de Eder Santos na capital paranaense, reunindo mais de quatro décadas de experimentações que dissolvem fronteiras entre imagem, corpo e tecnologia.
Com curadoria de Luiz Gustavo Carvalho, a exposição apresenta 14 videoinstalações e videoesculturas produzidas entre 1993 e 2026, além da obra inédita Ouragualamalma, criada especialmente para esta temporada. O conjunto não propõe uma retrospectiva linear, mas um panorama sensorial que evidencia como o artista mineiro transformou o vídeo em matéria viva, pulsante e, por vezes, instável.
Ao circular pelo espaço, o visitante percebe rapidamente que aqui a imagem não ilustra — ela age. Ruídos, falhas técnicas, vibrações e distorções são assumidos como linguagem. Camas, gaiolas, esculturas eletrônicas e ambientes imersivos compõem uma arquitetura que convoca o corpo do espectador a participar, não apenas a observar. O resultado é uma experiência que tensiona a passividade do olhar e rompe com a lógica confortável da representação.
Segundo o curador, a obra de Eder Santos propõe um exercício quase radical de desaprendizado visual. “É um convite para retirar as lentes com as quais nos acostumamos a ver um mundo domesticado e acessar aquilo que escapa, que não se deixa estabilizar”, afirma Luiz Gustavo Carvalho. Essa instabilidade, longe de ser ruído, é o próprio discurso da exposição.
A programação amplia o diálogo com o público. No dia da abertura, 10 de fevereiro, o artista e o curador conduzem uma palestra seguida da inauguração oficial. Visitas guiadas ao longo do período expositivo aprofundam a leitura das obras, enquanto oficinas, exibição do longa Girassol Vermelho e o lançamento do catálogo reforçam o caráter expandido da mostra.
Referência internacional na videoarte, Eder Santos integra acervos como MoMA, Centre Pompidou e os principais museus de arte moderna do Brasil. Em Curitiba, sua obra não apenas ocupa o espaço expositivo: ela permanece em movimento, deixando no ar a sensação de que a imagem, definitivamente, não se contenta em servir.
Quando a imagem deixa de representar e passa a ocupar o corpo. Já visitou? #ArteContemporânea
#ExposiçãoImperdível



Deixe uma resposta