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Geometria Visceral: Gilberto Salvador se despede do Rio no Paço Imperial

Mostra ocupa três salões e termina domingo

Mostra de Gilberto Salvador no Paço Imperial reúne 40 obras e encerra neste domingo no Rio. #Linkezine 🎨

 

Há algo de silenciosamente potente ao subir as escadas do Paço Imperial e encontrar, espalhadas pelos três salões do segundo pavimento, formas que parecem pulsar. Linhas precisas convivem com recortes orgânicos, cores vibrantes dialogam com sombras densas. É ali que “Geometria Visceral” apresenta um panorama da produção recente do artista paulistano Gilberto Salvador — em cartaz apenas até este domingo, 1º de março.

Há 17 anos sem expor no Rio de Janeiro, Salvador retorna a uma cidade com a qual mantém relação afetiva e estética. Parte das cerca de 40 obras — entre pinturas, esculturas e vídeos — revisita paisagens cariocas, como o perfil dos Dois Irmãos, o Pão de Açúcar e o Saco do Mamanguá, em composições recortadas que equilibram cálculo arquitetônico e vibração tropical.

Com curadoria de Denise Mattar, a exposição começa com trabalhos emblemáticos das décadas de 1960 e 1970, como “Viu…!” (1968), obra marcada pelo enfrentamento simbólico à ditadura militar. Desde então, Salvador desenvolve uma produção que funde racionalidade construtiva e impulso expressivo. “A cor como discurso, o traço como denúncia”, resume a curadora ao comentar a fase inicial do artista.

Formado em arquitetura e urbanismo, Salvador incorpora materiais diversos — acrílico, metal, tinta, elementos da construção civil — em composições que revelam rigor formal e inquietação subjetiva. Recortes na madeira criam volumes fragmentados, enquanto o cromatismo intenso remete à paisagem brasileira. “O Brasil tropical é colorido”, afirma o artista, lembrando a influência dos cartazes de cinema de sua infância e do paisagismo em sua trajetória.

Entre os núcleos temáticos, chamam atenção os quadriculados que evocam azulejos de piscina, memórias gráficas transformadas em textura tridimensional. Há ainda uma série de nove caixas acrílicas amarelas que abrigam objetos como prumos, bolas de tênis pintadas e placas de chumbo marteladas, tensionando matéria industrial e organicidade.

Preocupado com acessibilidade — ele convive com limitações motoras decorrentes de poliomielite na infância — Salvador criou duas esculturas táteis que podem ser tocadas pelo público. “É fundamental que as pessoas tenham essa experiência”, afirma.

Na última sala, vídeos revelam processos e obras não expostas, ampliando a compreensão de uma trajetória de mais de seis décadas. “Geometria Visceral” não é apenas uma retrospectiva recente: é um reencontro. E, como todo reencontro, deixa a sensação de que ainda há muito a ser visto.

 

Últimos dias para mergulhar na Geometria Visceral no Paço Imperial. Arte que pulsa entre cálculo e emoção.  #ArteContemporanea  #ExposicaoRJ

 

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