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Frestas 2026: quando caminhar vira rezo e Sorocaba se transforma em território de arte viva

Trienal ocupa cidade e memória

Frestas 2026 transforma Sorocaba em percurso de arte, memória e território. Um convite para caminhar e construir sentidos coletivos. #Linkezine 🎨

 

Há exposições que se visitam. Outras, se atravessam. A 4ª edição de Frestas – Trienal de Artes, que abre em 27 de fevereiro de 2026 no Sesc Sorocaba, pertence à segunda categoria. Sob o título do caminho um rezo, a mostra convida o público a percorrer não apenas corredores expositivos, mas territórios simbólicos, históricos e afetivos da cidade.

Com 102 participantes e 188 projetos — entre eles 26 trabalhos comissionados —, Frestas transforma o estacionamento G2 em galeria e expande seus gestos para além da unidade, ocupando a Capela João de Camargo, o Clube 28 de Setembro, o Monumento Pelourinho, o Monumento à Mãe Preta e outros pontos urbanos. Sorocaba deixa de ser cenário e assume o papel de protagonista.

A curadoria de Luciara Ribeiro, Naine Terena e Khadyg Fares, com assistência de Cadu Gonçalves e Cristina Fernandes e coordenação educativa de Val Chagas, parte da ideia do “caminho como rezo”, evocando referências como o pensamento de Tadeu Kaingang, o conceito andino de “Thaki” e as confluências afropindorâmicas de Nêgo Bispo. Caminhar, aqui, é gesto político, espiritual e pedagógico — uma forma de inscrever o corpo no território.

A dimensão internacional dialoga com urgências contemporâneas. A palestina Emily Jacir apresenta Letter to a Friend, sobre memória e deslocamento. O australiano Gordon Hookey revisita a história colonial sob perspectiva indígena. Já Richard Long exibe sua icônica Line made by walking (1967), síntese poética do ato de caminhar como marca no mundo.

Corpos e dissidências também ocupam o centro da narrativa. A Plataforma Demonstra afirma a presença de artistas com deficiência, enquanto Edu O., em Ah, se eu fosse Marilyn!, questiona padrões de visibilidade e pertencimento. No campo dos saberes tradicionais, a CAIANAS e o projeto Carpinteiros da Amazônia ativam práticas agroecológicas e arquiteturas ancestrais como arte e resistência.

O Rio Sorocaba atravessa a mostra como entidade viva. Em Memórias do Rio: ecos de resistência, artistas e coletivos conectam passado e ameaça ambiental. Já Julio Veredas e Douglas Emilio transformam o curso d’água em memória sensorial e coreográfica.

Com o programa público Sendarias e um robusto projeto de acessibilidade — incluindo videoguia em Libras, audiodescrição por NFC e experiências táteis —, Frestas reafirma a arte como espaço de encontro e construção coletiva.

Até 16 de agosto, Sorocaba respira arte não como ornamento, mas como prática de mundo. Caminhar, afinal, também é lembrar — e projetar futuros possíveis.

 

Em Sorocaba, caminhar também é fazer arte.  #ArteContemporanea  #CulturaBrasileira

 

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