Pargo entra na zona crítica e acende alerta na pesca brasileira
Pargo entra na zona crítica e acende alerta na pesca brasileira
Espécie-chave sobe de “vulnerável” para “em perigo”
A notícia chegou discreta, publicada no Diário Oficial, mas reverberou forte entre pesquisadores, pescadores e gestores públicos. O pargo (Lutjanus purpureus), um dos pilares da pesca no Norte e Nordeste, foi reclassificado como “em perigo” na nova Lista Nacional de Espécies Ameaçadas para peixes e invertebrados aquáticos. O diagnóstico, atualizado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), indica um risco elevado de desaparecimento na natureza caso o manejo não mude de rumo.
A decisão é resultado de avaliações conduzidas pelo ICMBio, com participação da academia e validação da Conabio. Desde 2014, quando entrou na lista como “vulnerável”, o cenário só se agravou. Hoje, estudos apontam um declínio superior a 76% em relação aos anos 1990, impulsionado principalmente pela sobrepesca — estimada em níveis 175% acima do sustentável.
No mar, os sinais são claros. A captura frequente de indivíduos jovens compromete a reposição natural da espécie. Técnicas como o espinhel vertical e o uso de covos, somadas à pesca em áreas rasas — onde se concentram os peixes imaturos — aceleram o esgotamento dos estoques. Soma-se a isso o impacto crescente das mudanças climáticas, como o aquecimento e a acidificação dos oceanos, além da captura incidental em outras modalidades, como o arrasto de camarão.
Diante desse quadro, o governo prepara uma revisão do Plano de Recuperação do pargo, em vigor desde 2018. A nova versão deve trazer medidas mais restritivas, incluindo limite anual de captura, tamanho mínimo, áreas de exclusão e maior controle da atividade pesqueira. A proposta será debatida com cientistas, setor produtivo e órgãos ambientais antes da publicação prevista para o fim de maio.
Enquanto isso, a pesca segue autorizada sob as regras atuais, o que mantém a tensão entre conservação e economia. No Pará, responsável por cerca de 87% da produção nacional, o pargo sustenta milhares de empregos diretos e indiretos. Em municípios como Bragança, a cadeia produtiva movimenta desde embarcações até fábricas de gelo, desenhando um retrato de dependência econômica difícil de ignorar.
A reclassificação não encerra o problema — ao contrário, inaugura uma fase mais exigente. Entre redes e políticas públicas, o desafio agora é equilibrar urgência ambiental e sobrevivência econômica, antes que o silêncio do mar se torne definitivo.
Do prato ao oceano: o pargo pede socorro e muda o rumo da pesca no país. #Sustentabilidade #MeioAmbiente
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