Irmãs Gelli estreiam individual em SP com imersão sensorial em cera
Mostra ocupa a Casa Seva até abril
Em um tempo que corre apressado e digital, as Irmãs Gelli escolhem desacelerar. A partir de 7 de março, a Casa Seva, na Vila Modernista, recebe “Leva tempo, mas vai dar tempo”, primeira exposição individual da dupla carioca em São Paulo. A entrada é gratuita, mas o convite é outro: parar.
Formadas por Alice e Gabi Gelli, as artistas constroem há anos uma pesquisa centrada na materialidade do tempo, na experiência do corpo e na criação de espaços de encontro. Conhecidas pelo uso da cera vegetal e por instalações de forte impacto sensorial, elas apresentam cerca de 20 obras inéditas, entre peças de grande escala, trabalhos cinéticos e uma instalação performática que dá nome à mostra, com curadoria de Catalina Bergues.
A cera, matéria recorrente na poética da dupla, não é apenas suporte — é processo. As obras nascem de mergulhos sucessivos no material líquido, camada sobre camada, em um gesto que exige espera e precisão. O resultado são superfícies translúcidas que evocam profundidade e transformação contínua. “O tempo não aparece como tema, mas como parte da própria matéria”, destaca a curadora.
Um dos destaques é a instalação performática com aproximadamente meia tonelada de cera, inspirada na formação de estalactites e estalagmites. Ao longo do período expositivo, novas camadas serão adicionadas em sessões abertas ao público, permitindo acompanhar a obra em mutação. Não há conclusão fixa — há processo.
A interação é outro eixo central. Nas obras cinéticas, partes se deslocam horizontalmente, convidando o visitante a tocar, circular e participar. A experiência rompe o distanciamento tradicional das galerias. “Quando o corpo entra em relação com a obra, algo muda”, afirma Alice.
A sustentabilidade também atravessa a mostra. A dupla utiliza cera vegetal com menor teor de parafina, plástico reciclado de faróis automotivos e madeira de demolição. Materiais reaproveitados retornam ao ateliê, alimentando um ciclo contínuo de experimentação. Para Gabi, criar em grande escala com consciência ambiental é parte indissociável do gesto artístico.
Instalada em uma casa projetada por Flavio de Carvalho nos anos 1930, a Casa Seva reforça o diálogo entre arte e processos ecológicos. Até 18 de abril de 2026, o público é convidado a experimentar o tempo como presença — não como pressa.
Entre camadas de cera e silêncio atento, as Irmãs Gelli lembram: é preciso tempo para ver, sentir e permanecer.
Camadas de cera, tempo e presença: as Irmãs Gelli chegam a SP com uma mostra para sentir — e desacelerar. #ArteContemporânea #ExposiçãoEmSP
disponível para venda na Amazon: https://a.co/d/0gDgs0S


Deixe uma resposta