Selic a 15% reacende debate sobre consórcios no planejamento financeiro
Juros altos impulsionam alternativas ao crédito
Em tempos de juros elevados, cada decisão financeira parece exigir mais cálculo e menos impulso. A manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, mantém o Brasil em um dos cenários de crédito mais caros das últimas décadas — e começa a redesenhar o comportamento de consumidores e empresas.
Esta é a quinta reunião consecutiva em que a taxa básica permanece nesse patamar, pressionando o custo de financiamentos, empréstimos e capital de giro. Na prática, o resultado aparece no cotidiano: parcelas mais altas, prazos mais longos e maior cautela antes de assumir compromissos financeiros.
Nesse contexto, uma modalidade tradicional volta ao centro das conversas sobre planejamento financeiro: o consórcio. Baseado no modelo de autofinanciamento coletivo e sem cobrança de juros, o sistema tem ganhado destaque como alternativa para aquisição de bens de maior valor, como imóveis, veículos e equipamentos empresariais.
Para Carlos Fuzinelli, especialista em gestão e expansão de negócios, CEO e cofundador da FVL Consórcios, o atual cenário de juros elevados tem provocado uma mudança gradual na forma como as pessoas avaliam o crédito.
“Quando a taxa básica permanece alta por tanto tempo, o consumidor começa a olhar para o custo total das operações. Em financiamentos tradicionais, o valor final pode chegar a dobrar ou até triplicar. No consórcio, o foco passa a ser planejamento e disciplina financeira”, explica.
A busca por essa alternativa não se limita às pessoas físicas. Empresas também têm recorrido ao consórcio como estratégia de organização patrimonial e expansão de ativos.
Segundo Fuzinelli, companhias utilizam a modalidade para aquisição de imóveis comerciais, ampliação de frotas e investimentos estruturais, justamente por permitir planejamento de médio e longo prazo sem impacto imediato no fluxo de caixa.
Os números do setor ajudam a explicar o movimento. Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) apontam que o sistema movimentou mais de R$ 316 bilhões em créditos comercializados em 2024, com crescimento significativo nos segmentos de imóveis e veículos, mesmo em um ambiente macroeconômico desafiador.
Ainda assim, especialistas alertam que o consórcio exige uma lógica diferente da compra imediata. O modelo funciona melhor para quem consegue planejar e lidar com prazos mais longos, já que a contemplação depende de sorteios ou lances dentro do grupo.
Antes de aderir, recomenda-se avaliar fatores como prazo do projeto, custos de administração, funcionamento dos mecanismos de contemplação e a reputação da administradora.
No cenário atual, marcado por crédito caro e decisões cada vez mais estratégicas, a discussão sobre consórcios vai além de uma simples alternativa de compra. Ela reflete uma mudança mais profunda: a valorização do planejamento financeiro em um país acostumado a conviver com ciclos de juros elevados.
Juros altos mudam decisões financeiras: com a Selic a 15%, o consórcio volta a ganhar espaço no planejamento de famílias e empresas. #Economia #PlanejamentoFinanceiro 📊
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