Pedro Volta revisita a alma do samba e da MPB no álbum “Retrosambas”
Disco une tradição e olhar contemporâneo da MPB.
Algumas músicas parecem nascer com memória. Carregam ecos de rodas de samba antigas, noites boêmias e encontros musicais que atravessam gerações. É nesse território entre passado e presente que o cantor, compositor e multi-instrumentista paulista Pedro Volta apresenta seu novo trabalho, “Retrosambas”, álbum que chega às plataformas digitais no dia 13 de março.
Com dez faixas, o disco propõe um mergulho sensível na tradição da música brasileira. O projeto costura sambas, choros e canções que dialogam com o período pré e pós-Bossa Nova, alternando composições autorais e releituras de obras raras do repertório nacional. Longe de ser um exercício de nostalgia, o álbum busca reposicionar essas influências dentro de uma estética atual e autoral.
Produzido por Béco Dranoff, Thiago “Big” Rabello e pelo próprio Pedro Volta, o trabalho foi gravado entre março e outubro de 2025 no Estúdio Dá Pá Virada, em São Paulo. A proposta sonora privilegia arranjos orgânicos e uma abordagem analógica, resultando em uma atmosfera atemporal. A etapa final ficou por conta da masterização no Blissonance Studio, em Paris.
Discípulo musical de Toninho Horta e Beto Guedes, Pedro Volta carrega em sua formação referências marcantes da música brasileira. Ecos de artistas como César Camargo Mariano, Tamba Trio, João Donato e o Clube da Esquina aparecem no álbum não como citações diretas, mas como linguagem viva, reinterpretada sob um olhar contemporâneo.
A abertura do disco, “Chaveirinho”, apresenta um samba romântico de inspiração seresteira, com arranjo delicado e elegante. Já “Bom Partido” reforça a ligação do artista com a tradição do samba-canção, enquanto “Então” aposta no clima descontraído do partido-alto, com participação da cantora Bruna Moraes.
As releituras também ocupam espaço central no projeto. “Palhaçada”, de Sylvio de Carvalho, ganha uma nova atmosfera inspirada na estética musical de João Donato. O choro “Aquelas Horas no Sumaré”, de Laércio de Freitas, surge em arranjo que combina complexidade harmônica e fluidez contemporânea. Já “Vai Que Depois Eu Vou”, clássico de Geraldo Pereira, aparece em versão inédita assinada por Pedro Volta em parceria com Chico Mieli.
Multi-instrumentista, o artista gravou grande parte dos instrumentos presentes no disco — de pianos e violões a percussões, baixos e até assobios. O resultado reforça o caráter artesanal do projeto, que ainda conta com participações especiais de Bárbara Rodrix, Bruna Moraes e Chico Mieli.
Iniciado em 2023 e retomado em 2025 após um período em que Pedro atuou como artista residente em um transatlântico, o álbum se consolidou como um retrato de maturidade artística. Em “Retrosambas”, tradição e reinvenção caminham lado a lado — lembrando que a música brasileira continua viva, pulsante e sempre aberta a novas leituras.
Entre o samba antigo e a MPB contemporânea, Pedro Volta apresenta “Retrosambas”, um álbum que conversa com o passado sem perder o presente. #MPBBrasileira #SambaBrasileiro 🎧
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