Avaliação do governo Lula oscila, mas percepção negativa ainda predomina
Pesquisa Ipsos-Ipec aponta leve alta na aprovação
Em um país acostumado a acompanhar a política como quem observa o clima — sempre atento às mudanças de temperatura — os números mais recentes da avaliação do governo federal indicam um cenário de estabilidade com pequenas oscilações. A pesquisa Ipsos-Ipec, realizada entre os dias 5 e 9 de março de 2026, revela uma leve melhora na percepção positiva da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embora o quadro geral ainda permaneça marcado pela predominância de avaliações negativas.
De acordo com o levantamento, a avaliação ótima ou boa do governo subiu de 30% em dezembro para 33% em março, sinalizando uma variação positiva no período. Já a avaliação regular apresentou recuo, passando de 29% para 24%, enquanto o índice de percepção ruim ou péssima permaneceu estável em 40%, mantendo-se como a faixa mais expressiva entre os entrevistados. Outros 3% preferiram não opinar.
Na prática, os dados sugerem um cenário político que se move lentamente, sem grandes rupturas de percepção entre os brasileiros. A melhora modesta na avaliação positiva não foi suficiente para alterar o saldo geral da pesquisa, que permanece 7 pontos negativos, segundo análise da própria Ipsos-Ipec.
Para Márcia Cavallari, head da instituição, o levantamento mostra um quadro ainda desafiador para o governo. “A pesquisa indica uma pequena melhora na avaliação positiva, mas a percepção negativa continua predominante. O saldo negativo demonstra que o governo ainda não conseguiu reverter o quadro para uma avaliação mais favorável”, observa.
O retrato da opinião pública também revela diferenças marcantes entre perfis sociais e regionais. A avaliação positiva é mais presente entre eleitores que votaram em Lula em 2022, grupo no qual o índice chega a 66%. Também aparece com mais força entre moradores do Nordeste (45%), pessoas com menor escolaridade (46%), idosos com 60 anos ou mais (41%) e famílias com renda de até um salário mínimo (40%).
Por outro lado, a percepção negativa cresce em segmentos específicos da população. Entre eleitores que declararam voto em Jair Bolsonaro, o índice de avaliação ruim ou péssima atinge 79%. O mesmo sentimento aparece com mais intensidade entre pessoas com renda superior a cinco salários mínimos (57%), evangélicos (51%), adultos entre 25 e 34 anos (49%) e entre entrevistados com ensino superior (48%).
O recorte geográfico também mostra contrastes. A avaliação negativa se concentra principalmente nas regiões Sul (48%), Norte e Centro-Oeste (46%) e Sudeste (43%), enquanto o Nordeste registra índice menor, de 28%.
Sem mudanças bruscas em relação ao levantamento anterior, o retrato de março sugere um cenário político ainda polarizado. Entre oscilações discretas e percepções consolidadas, o governo segue navegando em águas de avaliação dividida — um termômetro que continuará sendo observado de perto nos próximos meses.
A aprovação sobe um pouco, mas a crítica ainda pesa: o retrato da opinião pública sobre o governo Lula em março de 2026. 📊 #PolíticaBrasileira #OpiniãoPública
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