Dragão Nazárea ocupa o Pirambu e transforma a Areninha em palco cultural
Evento gratuito celebra arte e literatura negra
Quando a cultura decide atravessar a cidade e encontrar seus próprios territórios, ela ganha outro ritmo. No Pirambu, bairro marcado por histórias de resistência e criatividade coletiva em Fortaleza, esse encontro acontece no dia 14 de março, quando a Areninha local recebe mais uma edição do Dragão Nazárea, programa do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.
A partir das 18h, o espaço se transforma em um ponto de convergência para arte, poesia, música e empreendedorismo criativo. Mais do que uma programação cultural, a iniciativa nasce com um propósito claro: fortalecer o protagonismo das periferias na política cultural do Ceará, ampliando o acesso às artes e incentivando a circulação de artistas nos territórios da cidade e da Região Metropolitana de Fortaleza.
Lançado em dezembro de 2025, o Dragão Nazárea integra as ações do Centro Dragão do Mar, equipamento que faz parte da Rede Pública de Equipamentos Culturais do Estado (Rece), vinculada à Secretaria da Cultura do Ceará (Secult). A gestão é realizada em parceria com o Instituto Dragão do Mar, por meio do Núcleo de Articulação Territorial.
O nome do projeto carrega um significado simbólico. “Nazárea” é uma expressão usada em comunidades periféricas para afirmar pertencimento e reconhecer a força das redes locais. Não por acaso, o programa foi pensado para dialogar diretamente com juventudes, artistas e moradores das periferias, valorizando talentos que muitas vezes florescem longe dos grandes palcos institucionais.
Nesta edição, o Dragão Nazárea acontece em parceria com o I Festival de Literaturas Negras Cearenses (FLINC), iniciativa do Instituto Negruras, que atua na valorização da cultura negra e na criação de espaços de formação, pesquisa e circulação artística no estado.
A abertura da noite será marcada por um rito simbólico: o Adurá para Esú – Proteção ao grande mensageiro, conduzido pelo babalorixá Vladimir de Ogún, estabelecendo um momento de espiritualidade e proteção para o início das atividades.
A programação segue com diversas frentes culturais acontecendo simultaneamente. Enquanto o público pode visitar a Feira de Empreendedorismo, com marcas e artistas locais, crianças encontram espaço no Espaço Erê, voltado a atividades infantis.
No palco, a palavra ganha protagonismo. A roda de conversa “O poder da palavra: Saraus, Slams e Poesia de Rua” reúne Akwa Silva, Yasmin Biesse, Samara Poeta e Apêaga para discutir o impacto da poesia falada nas periferias. Logo depois, o Maracatu Nação Pirambu assume o ritmo da noite.
As batalhas de poesia do Slam da FLINC completam a programação, com apresentações de coletivos e artistas convidados, encerrando a noite com versos que ecoam identidade, memória e resistência.
No Pirambu, a cultura não chega como visita. Ela se reconhece em casa — e segue criando novos caminhos.
Poesia de rua, maracatu e cultura viva: o Dragão Nazárea chega ao Pirambu para celebrar o poder criativo das periferias. ✊🏾🎤 #CulturaPeriférica #ArteNasPeriferias
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