Bienal de Arquitetura Brasileira estreia em SP com olhar sensorial
Evento ocupa o Ibirapuera com foco nos biomas
Bienal de Arquitetura Brasileira estreia em SP com olhar sensorial
Evento ocupa o Ibirapuera com foco nos biomas
O Parque Ibirapuera amanhece diferente a partir de 25 de março. Não apenas pela movimentação habitual de quem atravessa seus caminhos, mas por uma nova cartografia que se desenha dentro do Pavilhão das Culturas Brasileiras. É ali que nasce a primeira edição da Bienal de Arquitetura Brasileira (BAB), um convite a percorrer o país sem sair de São Paulo — e, sobretudo, a enxergar o território por lentes menos óbvias.
Assinado pelo arquiteto Leonardo Zanatta, o masterplan ocupa 20 mil metros quadrados com uma proposta que abandona fronteiras políticas e reorganiza o Brasil a partir de seus seis biomas. A ideia, sintetizada no conceito “Fronteiras Invisíveis”, rompe com o formalismo tradicional das exposições e aposta em uma experiência fluida, inspirada nas feiras de rua. O visitante não percorre corredores: ele descobre caminhos.
Entre os destaques, o Pavilhão de Santa Catarina, concebido por Jeferson Branco, desafia estereótipos ao reunir mais de 75 artistas e designers. No centro, um cubo revestido por azulejos de Walmor Corrêa exibe a fauna da Mata Atlântica, enquanto o espaço se abre em uma planta livre que mistura arte, design e paisagismo nativo. É um convite à desconstrução de identidades simplificadas.
No mesmo espírito de imersão, o Pavilhão do Maranhão traduz tradição em linguagem contemporânea. Idealizado por Larissa Catossi e Guilherme Abreu, o espaço utiliza barro, cores simbólicas e uma instalação inspirada nas matracas do Bumba Meu Boi para criar uma narrativa sensorial. A curadoria reúne artistas de diferentes gerações, conectando passado e presente em um mesmo gesto arquitetônico.
A experiência se estende à gastronomia no restaurante Biomas, projeto da Cité Arquitetura com direção criativa de Celso Rayol. Dividido entre Caatinga e Amazônia, o espaço transforma ingredientes, texturas e paisagens em linguagem culinária, sob comando do chef Leo Sanchez. Comer, aqui, também é percorrer territórios.
Entre as obras, a ceramista Mitushi propõe pausa e contemplação com um painel composto por 2.700 peças de porcelana. Inspirada no conceito japonês wabi-sabi, a artista celebra o imperfeito, revelando beleza em rachaduras e irregularidades — um contraponto delicado à grandiosidade da mostra.
A BAB estreia como mais do que uma exposição: é uma experiência que dissolve limites e reposiciona a arquitetura como linguagem viva. No Ibirapuera, o Brasil se redesenha — não no mapa, mas na sensibilidade de quem percorre seus caminhos.
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