Inflorescências transforma estande em paisagem sensorial na SP-Arte 2026
Design, natureza e arte têxtil em experiência imersiva
Inflorescências transforma estande em paisagem sensorial na SP-Arte 2026
Design, natureza e arte têxtil em experiência imersiva
Entre corredores expositivos e olhares atentos, a SP-Arte 2026 abre espaço para experiências que vão além do olhar — e convidam o corpo inteiro a percorrer ideias. É nesse território que surge Inflorescências, instalação da Fahrer que propõe um deslocamento sutil: do mobiliário como objeto ao mobiliário como paisagem.
No estande, nada parece estático. Linhas curvas, volumes orgânicos e superfícies têxteis constroem um ambiente que mais se sente do que se observa. A proposta, concebida como site-specific, nasce do encontro entre o design autoral da Fahrer, a pesquisa têxtil da Punto & Filo e o olhar paisagístico de Marcelo Faisal. Juntos, eles desenham uma geografia sensorial inspirada na Serra da Mantiqueira — não como reprodução literal, mas como evocação.
A madeira multilaminada curvada, marca registrada da Fahrer, ganha protagonismo ao assumir formas que lembram flores em expansão. As peças deixam de ser apenas funcionais e passam a integrar uma composição maior, onde cada elemento responde ao espaço ao redor. “A ideia é construir uma paisagem”, sugere o conceito que guia o projeto.
Essa paisagem se estrutura, sobretudo, pela cor. Tons de verde dominam o ambiente, criando uma atmosfera envolvente que remete às variações naturais de luz e sombra. Pontos de cor mais intensa surgem como interrupções luminosas — quase como flores que rompem a uniformidade do campo visual. A intervenção de Marcelo Faisal se revela justamente nesse equilíbrio entre controle e espontaneidade.
Mas é na textura que o visitante percebe o deslocamento mais evidente. As tapeçarias da Punto & Filo criam relevos, profundidades e movimentos. Fios verticais descem como raízes suspensas, sugerindo uma travessia por entre camadas de uma floresta imaginada. Há uma sensação de imersão que ultrapassa o campo visual e alcança o sensorial.
A escolha dos materiais também carrega um discurso silencioso. Produzidas com fios regenerados a partir de resíduos industriais e oceânicos, as superfícies têxteis incorporam princípios de sustentabilidade e economia circular. O processo reduz impactos ambientais e reinsere matéria no ciclo produtivo com qualidade equivalente à original.
No fim, Inflorescências não se apresenta apenas como instalação, mas como experiência. Um espaço onde design, natureza e técnica se encontram para provocar uma pausa — dessas raras — em meio ao ritmo acelerado da feira. E talvez seja justamente nessa pausa que o visitante perceba: algumas paisagens não se observam, se atravessam.
Mais que ver: sentir, atravessar, habitar o design. #SPArte #DesignBrasileiro
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