Entre marcas e memórias, arte vira bússola na CAIXA Cultural RJ
Oficinas e debates ampliam experiência da exposição
Entre marcas e memórias, arte vira bússola na CAIXA Cultural RJ
Oficinas e debates ampliam experiência da exposição
Há exposições que se observam à distância. Outras, como Geografias de um Corpo Bússola, pedem aproximação — quase um toque. Na CAIXA Cultural Rio de Janeiro, a obra do artista visual Daniel Jorge extrapola o espaço expositivo e ganha novas camadas entre os dias 9 e 11 de abril, com uma programação que convida o público a participar, refletir e, sobretudo, sentir.
No centro dessa proposta está a ideia de que o corpo não é apenas matéria, mas também mapa. Um território onde memórias são inscritas, apagadas e, por vezes, recuperadas. É a partir desse princípio que Daniel conduz a oficina “Escarificando”, ponto alto da agenda paralela. Inspirado por práticas de escarificação de povos africanos como os Bodi e os Nuer, o artista propõe um deslocamento simbólico: a marca deixa a pele e encontra a argila.
O gesto, aparentemente simples, carrega densidade histórica. Ao incidir sobre a matéria, os participantes inscrevem narrativas que dialogam com ancestralidade e resistência. O resultado coletivo — um mural em argila — transforma experiências individuais em uma cartografia compartilhada, onde cada traço ecoa uma presença.
A programação segue com uma visita mediada, na qual o próprio artista guia o público pelas cerca de 50 obras da exposição. Entre esculturas, instalações e performances, materiais como pedra-sabão, couro e ferro oxidado revelam uma poética que tensiona o espaço e desafia leituras superficiais. Não se trata apenas de ver, mas de reconhecer camadas — históricas, sociais e simbólicas.
No sábado, o debate amplia o campo de reflexão. Ao lado das pesquisadoras Nathalia Grilo e Ana Paula Alves Ribeiro, Daniel Jorge conduz uma conversa que conecta arte, território e política. A discussão aponta para um entendimento mais amplo: espaços urbanos e rurais não são neutros, mas atravessados por disputas de narrativa e pertencimento.
Com curadoria de Thais Darzé, a exposição permanece em cartaz até 19 de abril, mas sua proposta vai além do calendário. Ao transformar o corpo em bússola, o projeto sugere novos caminhos de leitura — não apenas da arte, mas da própria experiência de existir.
No fim, o visitante sai com mais perguntas do que respostas. E talvez seja esse o ponto: perceber que, em cada marca, há um caminho possível a seguir.
Quando o corpo vira mapa, cada marca conta uma história. 🧭✨ #ArteContemporanea
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