Geometrias que se encontram: CCBB Brasília conecta Torres García à arte brasileira
Exposição propõe diálogo latino-americano
Geometrias que se encontram: CCBB Brasília conecta Torres García à arte brasileira
Exposição propõe diálogo latino-americano
Há encontros que não dependem do tempo para acontecer. No Centro Cultural Banco do Brasil Brasília, obras de diferentes épocas e trajetórias passam a compartilhar o mesmo espaço como se sempre tivessem dialogado. A exposição “Joaquín Torres García – 150 anos” chega à capital federal não apenas como uma celebração, mas como um ponto de convergência entre o modernismo latino-americano e a produção artística brasileira.
Ao ocupar o CCBB, a mostra estabelece uma ponte direta com a Coleção de Arte Banco do Brasil, criando um percurso onde formas, símbolos e ideias se cruzam. O artista uruguaio, conhecido por sua linguagem geométrica universal, aparece em sintonia com nomes fundamentais do acervo, como Athos Bulcão, Burle Marx, Rubem Valentim e Dionísio del Santo.
Nas obras de Torres García, a geometria não é apenas estética — é estrutura de pensamento. Seus símbolos organizados em composições rigorosas sugerem uma tentativa de traduzir o mundo em signos compreensíveis a todos. Em Brasília, esse raciocínio encontra eco no trabalho de Athos Bulcão, cujos azulejos integram arte e arquitetura, criando experiências visuais que fazem parte do cotidiano da cidade.
O diálogo se amplia quando se observa a relação com Roberto Burle Marx. Em ambos, há um retorno ao que já foi chamado de “primitivo”, não como retrocesso, mas como potência criativa. Enquanto Torres García evoca símbolos ligados ao território e à ancestralidade, Burle Marx trabalha com a materialidade viva — plantas, cores e paisagens — como linguagem artística.
Rubem Valentim também se insere nesse percurso ao reinterpretar signos afro-brasileiros dentro de uma estética moderna, criando uma ponte entre espiritualidade e forma. Já Dionísio del Santo, com sua geometria sintética e precisa, revela como o abstrato pode ser, ao mesmo tempo, racional e sensível.
A exposição ainda aponta conexões com Djanira da Motta e Silva, cujas composições carregam uma dimensão coletiva e simbólica, aproximando o cotidiano de uma construção estética universal. Em comum, todos esses artistas compartilham uma busca: construir uma arte moderna enraizada no sul, capaz de dialogar com o mundo sem perder suas origens.
Para a curadoria, o encontro entre essas obras amplia o olhar sobre o acervo permanente e convida o público a perceber afinidades que ultrapassam a forma. É um exercício de reconhecimento — não apenas de artistas, mas de uma identidade cultural compartilhada.
Ao final da visita, fica a impressão de que a arte latino-americana não precisa de tradução. Ela já fala, há muito tempo, uma linguagem própria.
Quando formas se encontram, histórias também se revelam. 🎨✨ #ArteLatinoAmericana
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