Matías Duville transforma o Pavilhão Argentino em paisagem viva na Bienal de Veneza
Instalação une sal, carvão e sons em mutação
Matías Duville transforma o Pavilhão Argentino em paisagem viva na Bienal de Veneza
Instalação une sal, carvão e sons em mutação
Em Veneza, cidade onde o tempo parece escorrer lentamente pelos canais, a arte de Matías Duville encontra terreno fértil para desaparecer e renascer a cada passo. Representando a Argentina na 61ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza, o artista apresenta Monitor Yin Yang, uma instalação inédita que transforma o espaço expositivo em uma experiência sensorial viva, instável e transitória.
Representado no Brasil pela Casa Triângulo, Duville ocupa o Pavilhão Argentino, no Arsenale, entre 9 de maio e 22 de novembro de 2026, com uma obra que mistura desenho, som, matéria e deslocamento. Sob curadoria de Josefina Barcia, a instalação foi concebida como um ambiente transitável, onde o público não apenas observa, mas altera a paisagem ao caminhar sobre ela.
A obra é construída sobre um vasto manto de sal branco coberto por traços de carvão vegetal moído. O resultado lembra uma geografia em movimento: montanhas surgem, caminhos se desfazem, horizontes desaparecem. Cada presença modifica o espaço. Cada ruído altera a experiência.
Ao expandir o desenho para o campo da instalação imersiva, Duville transforma o gesto gráfico em ambiente físico. O carvão e o sal assumem protagonismo simbólico. Enquanto o sal remete à permanência, à erosão e ao tempo geológico, o carvão evoca energia, transformação e desgaste. Juntos, criam uma tensão contínua entre estabilidade e mudança.
Inspirado na filosofia do yin e yang, o trabalho não busca equilíbrio definitivo entre opostos, mas propõe convivência entre forças em constante mutação — luz e sombra, ruína e reconstrução, matéria e energia.
A experiência é ampliada por uma composição sonora desenvolvida pela Centolla Society, projeto criado por Duville em parceria com o irmão, Pablo Duville. Em colaboração com pesquisadores da Universidade de Pádua, o sistema utiliza dados ambientais em tempo real de Veneza — como qualidade do ar e condições atmosféricas — para modificar continuamente os sons da instalação.
Os passos do público sobre o sal tornam-se parte da composição. Nada permanece igual por muito tempo. A obra respira junto ao espaço e às pessoas.
Selecionado entre 69 propostas internacionais, Monitor Yin Yang dialoga diretamente com o conceito curatorial da Bienal de Veneza 2026, In Minor Keys, idealizado por Koyo Kouoh. A proposta valoriza intensidades sutis e transformações silenciosas — exatamente o território onde Duville constrói sua poética.
Em Veneza, onde a água muda a cidade todos os dias, a obra do artista argentino parece compreender perfeitamente o valor do efêmero.
Sal, carvão, som e movimento: a instalação de Matías Duville na Bienal de Veneza convida o público a atravessar a própria obra. #BienalDeVeneza #ArteContemporânea
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