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Aplicativo Yuka chega ao Brasil e promete facilitar escolhas de consumo com análise de alimentos e cosméticos

Plataforma traduz rótulos em informações claras

Aplicativo Yuka estreia no Brasil para facilitar a leitura de rótulos e incentivar escolhas de consumo mais informadas e transparentes. #Linkezine 📲

 

Aplicativo Yuka chega ao Brasil e promete facilitar escolhas de consumo com análise de alimentos e cosméticos

 Plataforma traduz rótulos em informações claras

Ler rótulos de alimentos e cosméticos nem sempre é uma tarefa simples. Nomes técnicos, listas extensas de ingredientes e informações nutricionais complexas costumam dificultar a compreensão do consumidor sobre aquilo que leva para casa. Em um cenário de crescente preocupação com alimentação saudável e transparência nas relações de consumo, o aplicativo Yuka, sucesso em países da Europa e da América do Norte, inicia sua operação no Brasil com a proposta de transformar dados técnicos em informações acessíveis para milhões de brasileiros.

A plataforma, criada na França em 2017, permite que o usuário escaneie o código de barras de alimentos, cosméticos e produtos de higiene pessoal para receber uma avaliação sobre seus possíveis impactos na saúde. O aplicativo estreia no país com uma base inicial de aproximadamente 600 mil produtos cadastrados e integra uma biblioteca global que já reúne mais de 6 milhões de itens. Presente em 15 países, o Yuka ultrapassa a marca de 85 milhões de usuários no mundo.

O funcionamento é simples. Após a leitura do código de barras, o sistema atribui uma nota de 0 a 100 ao produto e utiliza uma classificação visual por cores, do verde ao vermelho, para indicar sua qualidade. Além da pontuação, o consumidor tem acesso a uma análise detalhada que explica os critérios utilizados na avaliação. Quando um produto recebe baixa classificação, o aplicativo apresenta alternativas semelhantes consideradas mais favoráveis.

Segundo Julie Chapon, cofundadora do Yuka, o objetivo é ampliar o acesso a informações confiáveis e independentes sobre produtos consumidos diariamente. “O consumidor merece acesso a informações claras e confiáveis. O Yuka foi criado para tornar essas informações mais fáceis de entender e permitir escolhas baseadas em dados transparentes e independentes”, afirma.

A chegada da plataforma ao Brasil coincide com o aumento das discussões sobre o consumo de alimentos ultraprocessados. Estudos conduzidos por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) apontam que esses produtos já representam parcela significativa da alimentação dos brasileiros e estão associados ao maior risco de doenças crônicas. Nesse contexto, ferramentas capazes de simplificar a leitura dos rótulos ganham relevância para consumidores que buscam compreender melhor a composição dos alimentos.

A metodologia de avaliação dos alimentos considera três fatores principais: qualidade nutricional, responsável por 60% da nota; presença de aditivos, que representa 30%; e certificação orgânica, correspondente aos 10% restantes. Para isso, o aplicativo utiliza como referência o sistema europeu Nutri-Score e estudos científicos produzidos por instituições internacionais, incluindo análises sobre aditivos alimentares.

Nos cosméticos e produtos de higiene pessoal, cada ingrediente é analisado individualmente a partir de evidências científicas relacionadas a potenciais riscos, como alergias, irritações, desregulação endócrina, efeitos carcinogênicos e impactos ambientais. Os componentes são classificados em diferentes níveis de risco, permitindo ao consumidor compreender a composição do produto antes da compra.

Um dos principais diferenciais do Yuka é a independência de suas avaliações. A empresa afirma que fabricantes não podem pagar para alterar classificações ou influenciar recomendações exibidas no aplicativo. Seu modelo de negócios é baseado principalmente na versão Premium da plataforma, que oferece recursos adicionais, como busca personalizada, alertas e acesso offline.

O impacto do aplicativo já pode ser observado em outros mercados. Pesquisa realizada nos Estados Unidos com mais de 20 mil usuários apontou que 94% deixaram de comprar produtos classificados em vermelho após utilizar a ferramenta, enquanto 92% relataram redução no consumo de alimentos ultraprocessados. Na França, levantamento do instituto IFOP mostrou que 78% das empresas alimentícias consideram as avaliações do Yuka no desenvolvimento ou reformulação de seus produtos.

Ao desembarcar no Brasil, o aplicativo amplia o debate sobre transparência nas relações de consumo e reforça uma tendência de maior participação dos consumidores na escolha dos produtos que fazem parte do cotidiano. Em um mercado cada vez mais atento à saúde e ao bem-estar, iniciativas que traduzem informações técnicas em linguagem acessível podem contribuir para decisões de compra mais conscientes e estimular mudanças também na indústria.

 

 

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