Thomaz Velho transforma cor, matéria e caos urbano em “Tormenta” no Centro do Rio
Primeira individual do artista ocupa a Casa Brasil
Thomaz Velho transforma cor, matéria e caos urbano em “Tormenta” no Centro do Rio
Primeira individual do artista ocupa a Casa Brasil
Há pinturas que parecem pedir silêncio. Outras chegam como uma espécie de ruído visual, ocupando o espaço antes mesmo que o olhar consiga compreendê-las por inteiro. É nessa segunda frequência que Thomaz Velho apresenta Tormenta, sua primeira exposição individual, que abre ao público nesta quinta-feira (13), na Casa Brasil, no Centro do Rio.
Com entrada gratuita, a mostra reúne 11 obras, entre trabalhos inéditos e produções realizadas nos últimos anos, revelando uma mudança significativa na pesquisa do artista carioca. Conhecido pela investigação contínua sobre forma e cor, Velho abandona parte da atmosfera mais contida de sua produção anterior para experimentar uma pintura mais veloz, vibrante e fisicamente expansiva.
A transformação começa também pelo espaço de criação. Para desenvolver as obras da exposição, o artista passou a trabalhar em um novo ateliê instalado em uma antiga fábrica de tecidos no Rio Comprido. O pé-direito elevado do local estabeleceu uma relação direta com a arquitetura da Casa Brasil e possibilitou a criação de pinturas que chegam a três metros de altura.
A escala altera a experiência diante da obra. Acrílico, desenho e pintura deixam de funcionar apenas como técnicas e passam a construir superfícies que dialogam com o corpo do espectador. A pintura ganha presença arquitetônica.
“Tormenta” também apresenta uma paleta mais intensa. Vermelhos e amarelos aparecem com força, substituindo a gradação mais suave encontrada em trabalhos anteriores. Para a curadora Adriana Nakamuta, essa mudança representa uma transição importante na trajetória do artista, que passa a enfrentar novos ritmos, cores e formatos.
No universo visual de Thomaz Velho, a cidade brasileira parece sobreviver dentro da matéria pictórica. Paredes de cal, fachadas históricas, grafismos arquitetônicos e formas da construção popular reaparecem não como reproduções literais, mas como memórias transformadas em superfície.
É justamente nesse ponto que urbanidade e natureza se encontram. O caos das cidades, a geometria das construções e a passagem do tempo atravessam as telas em uma espécie de estado permanente de tensão. A matéria se acumula, ganha gesto e finalmente se converte em imagem.
O próprio título sintetiza essa mudança. “Tormenta” nasce de um processo que o artista define como avassalador, distante da calmaria de fases anteriores. Há humor na autodefinição como “artista atormentado”, mas também há método: a exposição registra um momento de ruptura e expansão.
Em cartaz até 6 de setembro, a mostra convida o público a experimentar a pintura não apenas como superfície, mas como acontecimento. No Centro do Rio, Thomaz Velho transforma cor, escala e memória urbana em uma nova paisagem — ainda em movimento, como toda tormenta que anuncia que alguma coisa está prestes a mudar.
Quando a pintura deixa de ser calmaria e vira acontecimento. 🎨🌪️ Thomaz Velho apresenta Tormenta, sua primeira exposição individual, na Casa Brasil, com 11 obras que exploram cor, escala, matéria e as memórias visuais da cidade brasileira. Entrada gratuita até 6 de setembro. #ArteBrasileira #ArtesVisuais
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