“Papo de Museu” coloca o patrimônio do Rio no centro da conversa
Encontro no Museu da Justiça questiona como a cidade cuida de sua memória
“Papo de Museu” coloca o patrimônio do Rio no centro da conversa
Encontro no Museu da Justiça questiona como a cidade cuida de sua memória
Entre igrejas centenárias, estações ferroviárias, paisagens conhecidas mundialmente e construções que carregam capítulos da história carioca, o Rio de Janeiro guarda um patrimônio que vai muito além da arquitetura. São lugares que ajudam a contar quem somos, de onde viemos e quais histórias permanecem vivas na cidade. Foi a partir dessa perspectiva que o programa “Papo de Museu” reuniu, nesta quarta-feira (19), especialistas para discutir os caminhos e as dificuldades da preservação cultural no estado.
Realizado na Sala Multiuso do Museu da Justiça, o encontro teve como convidado o procurador da República Sergio Gardenghi Suiama, que atua no Ministério Público Federal (MPF) desde 2002 e coordena a Comissão de Patrimônio Histórico e Cultural da instituição. Com o tema “Usos e limites do patrimônio cultural no Rio de Janeiro”, a conversa partiu de uma pergunta simples, mas cheia de possibilidades: para que e para quem servem os patrimônios histórico-culturais?
Na abertura, a historiadora do museu Lydia de Carvalho lembrou o Dia Nacional do Patrimônio Histórico, celebrado em 17 de agosto, e destacou a relação entre preservação, memória e identidade. Para ela, pensar o patrimônio também significa olhar para os espaços onde as pessoas constroem vínculos e reconhecem parte de sua própria história.
Durante a apresentação, Suiama recorreu ao artigo 216 da Constituição Federal de 1988, que reconhece como patrimônio cultural brasileiro os bens relacionados à identidade, à ação e à memória dos diferentes grupos que formam a sociedade. O procurador também apresentou um dado que ajuda a dimensionar o papel do Rio nesse cenário: dos cerca de 1.400 bens materiais tombados no Brasil, mais de 10% estão na cidade do Rio de Janeiro.
A concentração desses bens, segundo Suiama, também revela escolhas históricas. O processo de preservação iniciado pelo Iphan em 1938 privilegiou durante décadas construções associadas ao período colonial e à tradição católica. O resultado pode ser percebido no Centro do Rio, onde diversas igrejas estão entre os imóveis protegidos.
Mas a memória da cidade também enfrenta o desgaste do tempo e diferentes interesses de ocupação. A Estação Ferroviária Leopoldina, o Palacete de São Lourenço e o Aqueduto da Colônia dos Psicopatas foram citados como exemplos de espaços que enfrentam processos de degradação. Em outros casos, como o Pão de Açúcar e o Aterro do Flamengo, propostas de alteração da utilização desses espaços provocaram atenção e acompanhamento do MPF.
Ao colocar esses exemplos lado a lado, o encontro mostrou que preservar não significa simplesmente manter prédios ou paisagens intactos. Existe uma disputa permanente sobre os usos, os significados e o valor desses lugares.
Para Suiama, esse olhar precisa mudar. Quando o patrimônio passa a ser tratado principalmente pelo seu potencial econômico, a memória coletiva corre o risco de ficar em segundo plano. A discussão levantada pelo “Papo de Museu” segue, portanto, para além das paredes do Museu da Justiça: preservar o patrimônio é também decidir quais histórias a cidade deseja continuar contando.
Quem cuida da memória de uma cidade? 🏛️ O “Papo de Museu” levou essa pergunta para o centro da conversa e discutiu os caminhos da preservação cultural no Rio. #PatrimônioCultural #CulturaCarioca
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