Ciro Nogueira sinaliza diálogo com Lula enquanto busca novo mandato no Piauí
Ciro Nogueira sinaliza diálogo com Lula enquanto busca novo mandato no Piauí
Senador também comenta STF, Congresso e Flávio Bolsonaro
A corrida eleitoral de 2026 começa a produzir movimentos que ultrapassam as fronteiras tradicionais entre governo e oposição. Em entrevista à TV Meio Norte, nesta quinta-feira, o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, candidato à reeleição pelo Piauí, afirmou que não teria dificuldade em dialogar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva caso conquiste mais um mandato no Senado.
O aceno, porém, veio acompanhado de condições. Segundo Ciro, uma aproximação dependeria da disposição de Lula em buscar uma pacificação política e reduzir impostos. O senador também declarou apoio a projetos de interesse do governo, citando a PEC da Segurança Pública, o Redata, o fim da chamada “taxa das blusinhas” e a proposta para encerrar a escala de trabalho 6×1.
Nos dois últimos temas, Ciro colocou uma ressalva: para ele, eventuais mudanças precisam vir acompanhadas de mecanismos de compensação capazes de reduzir o impacto sobre os custos das empresas. A posição reforça uma estratégia política que combina abertura ao diálogo com a defesa de pautas econômicas caras ao seu eleitorado.
Outro ponto de destaque da entrevista foi o Supremo Tribunal Federal. Ciro afirmou ser “totalmente favorável” a uma eventual indicação de Jorge Messias para uma vaga na Corte. O advogado-geral da União é um dos nomes cotados para o STF em meio às discussões sobre futuras mudanças no tribunal.
Quando o assunto foi Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, Ciro preferiu uma resposta mais curta: disse que o senador é um grande amigo. A relação entre os dois ganhou peso político nos últimos anos, especialmente porque Ciro comandou a Casa Civil durante o governo de Jair Bolsonaro.
Na discussão sobre o Orçamento, o presidente do PP defendeu que a maior parcela dos recursos continue sob controle do Congresso, desde que exista fiscalização e que o dinheiro seja direcionado a políticas públicas.
A entrevista, entretanto, teve uma ausência que chama atenção diante do cenário político atual. Ciro não foi questionado sobre sua relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, no contexto das investigações envolvendo a instituição. Documentos da Polícia Federal apontam repasses mensais de até R$ 500 mil ao senador e benefícios como viagens e hospedagens custeadas por Vorcaro; as investigações ainda estão em andamento. (Folha de S.Paulo)
O caso adiciona uma camada delicada à trajetória política de Ciro justamente em um momento em que ele tenta consolidar sua permanência no Senado. Entre possíveis pontes com Lula, proximidade histórica com o bolsonarismo e uma investigação que continua avançando, o senador entra na disputa de 2026 com um discurso que busca ocupar espaço próprio — e cada movimento tende a pesar na eleição que se aproxima.
Um aceno ao centro da disputa eleitoral. 🗳️
Ciro Nogueira diz que poderá dialogar com Lula caso seja reeleito pelo Piauí, mas coloca condições para uma aproximação. O senador também falou sobre STF, Flávio Bolsonaro e o controle do Orçamento pelo Congresso.
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