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Banco Master: perícia digital tenta descobrir quanto dos bilhões realmente existia

Dados, contratos e fluxos financeiros viram peças-chave

O caso Banco Master mostra como tecnologia, perícia e análise de dados podem reconstruir operações financeiras complexas. #Linkezine 🔎

Banco Master: perícia digital tenta descobrir quanto dos bilhões realmente existia

Dados, contratos e fluxos financeiros viram peças-chave

Em uma investigação financeira de escala bilionária, o problema raramente termina no número registrado em um balanço. No caso Banco Master, a questão central ganhou contornos ainda mais complexos: quanto dos ativos negociados tinha lastro econômico, quais operações efetivamente movimentaram dinheiro e qual parcela das perdas ainda pode ser recuperada?

A resposta depende de uma combinação cada vez mais próxima da tecnologia: análise de dados, rastreamento de transações, cruzamento de documentos, perícia contábil e reconstrução dos fluxos financeiros. A Polícia Federal pediu mais 60 dias para avançar na investigação, após novos laudos apontarem suspeitas de falhas de governança e irregularidades em operações envolvendo o Master e o BRB.

Um dos números que dimensionam o caso é conhecido: as investigações apontaram aproximadamente R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito adquiridas pelo BRB e posteriormente questionadas por falta de lastro. Em janeiro, o Banco Central determinou inicialmente um provisionamento de R$ 2,6 bilhões para o BRB, enquanto avaliações posteriores indicaram uma exposição potencialmente maior.

É justamente nesse território que entra a perícia econômico-financeira. Para Marcello Guimarães, presidente da SWOT Global e especialista em perícia econômico-contábil-financeira, investigação de fraudes, valuation e disputas empresariais complexas, documentos isolados não bastam para revelar a realidade de uma operação.

“Em estruturas financeiras complexas, o registro de uma operação não é necessariamente suficiente para compreender sua realidade econômica. É preciso confrontar contratos, lançamentos contábeis, fluxos financeiros e documentos para verificar como os recursos efetivamente circularam”, afirma.

Na prática, esse trabalho pode ser entendido como uma espécie de investigação de dados aplicada ao dinheiro. Sistemas, planilhas, contratos, extratos, registros contábeis e informações bancárias são confrontados para reconstruir uma linha do tempo. A tecnologia ajuda a localizar padrões, conexões entre empresas, operações incompatíveis e movimentações que poderiam passar despercebidas em uma análise convencional.

O desafio aumenta quando diferentes transações estão conectadas. Um ativo pode aparecer em um documento, mudar de estrutura em outro e produzir efeitos contábeis somente meses depois. Por isso, identificar uma inconsistência é apenas o começo. É necessário calcular seu impacto patrimonial e estimar o que permanece recuperável.

O caso Master mostra, assim, uma transformação importante na investigação financeira: bilhões não são compreendidos apenas olhando para números, mas seguindo os dados até sua origem, suas conexões e seus efeitos. E, enquanto novos laudos e documentos chegam às autoridades, a pergunta permanece aberta: quanto havia de patrimônio real por trás dos valores registrados?

 

Quando bilhões entram em uma investigação, o número no balanço é apenas o começo. No caso Master, dados, contratos e fluxos financeiros podem revelar o que realmente existia por trás dos ativos.  #Tecnologia #Fintech

 

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