Nova perícia descarta suicídio e reforça hipótese de feminicídio da PM Gisele em SP
Laudo do Instituto de Criminalística aponta intervenção de uma segunda pessoa
Nova perícia descarta suicídio e reforça hipótese de feminicídio da PM Gisele em SP
Laudo do Instituto de Criminalística aponta intervenção de uma segunda pessoa
O que começou como um caso registrado inicialmente como suicídio ganhou novos contornos com a conclusão de uma perícia complementar. Um laudo do Instituto de Criminalística de São Paulo aponta que a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana não tirou a própria vida e indica a participação de uma segunda pessoa na dinâmica que levou à sua morte.
O documento, obtido pela CBN, confrontou diferentes versões sobre o que teria ocorrido no apartamento onde Gisele vivia com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, no Brás, região central da capital paulista. Ele é réu por feminicídio e fraude processual e está preso no presídio militar Romão Gomes.
Para reconstruir a sequência dos acontecimentos, os peritos analisaram três configurações distintas do imóvel: aquela descrita pelo réu, a relatada pelos primeiros socorristas e outra elaborada a partir das fotografias produzidas no local. As hipóteses foram comparadas aos vestígios documentados durante a investigação.
O trabalho contou ainda com um levantamento tridimensional do apartamento realizado por meio de laser scanner, recurso que permite reproduzir digitalmente o ambiente e auxiliar na análise espacial da cena. Segundo o laudo, os padrões de manchas de sangue e outros elementos periciais não são compatíveis com a hipótese de suicídio.
Gisele foi encontrada morta no apartamento em 18 de fevereiro. A ocorrência, inicialmente registrada como suicídio, passou posteriormente a ser investigada como possível feminicídio. A mudança de direção da apuração também foi acompanhada por outros elementos reunidos no inquérito.
Entre eles está a informação de que o celular da policial foi desbloqueado minutos após o disparo e teve mensagens apagadas. Conversas posteriormente recuperadas teriam revelado um relacionamento marcado, segundo a investigação, por episódios de violência doméstica, controle financeiro, machismo e controle sobre a vida sexual da vítima.
Para o Ministério Público, Geraldo Leite Rosa Neto matou Gisele e posteriormente modificou a cena para criar a aparência de um suicídio. A defesa do tenente-coronel informou que está analisando o novo laudo pericial.
Já o advogado da família de Gisele considera que o documento reforça o conjunto de provas reunido durante a investigação e a tese de feminicídio.
O novo exame acrescenta uma peça importante a um processo que ainda terá seus fatos submetidos à Justiça. Agora, a perícia deixa de olhar apenas para o que foi encontrado na cena e passa a ter papel central na reconstrução de como aquela noite realmente aconteceu.
Um novo laudo do Instituto de Criminalística muda o peso das evidências no caso da PM Gisele e coloca a perícia no centro da investigação. 🔎 #SegurançaPública #InvestigaçãoCriminal
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