MIS completa 61 anos entre a preservação da memória e os novos caminhos da cultura
Museu amplia acervo, pesquisa e acesso à memória
MIS completa 61 anos entre a preservação da memória e os novos caminhos da cultura
Museu amplia acervo, pesquisa e acesso à memória
Há instituições que guardam objetos. Outras guardam histórias. Aos 61 anos, a Fundação Museu da Imagem e do Som (F.MIS) reafirma uma vocação que vai além da conservação de fotografias, filmes, documentos e registros sonoros: transformar memória em experiência cultural. Criada em 1965, durante as comemorações do IV Centenário do Rio de Janeiro, a instituição construiu ao longo de seis décadas uma trajetória dedicada à preservação da cultura audiovisual brasileira.
Hoje, seu acervo se aproxima de 1 milhão de itens, entre fotografias, negativos, filmes, fitas, discos, documentos, partituras, livros, cartazes e objetos. É um conjunto que atravessa gerações e permite reconstruir parte significativa da história cultural do Rio e do Brasil por meio de imagens, sons e personagens.
Um dos pilares dessa trajetória é o projeto Depoimentos para a Posteridade, criado em 1966 e atualmente com mais de 1.100 registros. Ao reunir relatos de artistas, escritores, músicos, pesquisadores e outras personalidades, o projeto consolidou uma importante tradição de história oral no país. Em 2026, a Fundação também lançou Memórias Afetivas, ampliando esse olhar para pessoas com 80 anos ou mais e reconhecendo que a memória social não pertence apenas às figuras públicas.
A novidade mais tecnológica dessa história atende pelo nome de MIA – Memória e Inteligência Artificial. A plataforma utiliza recursos de inteligência artificial para facilitar a pesquisa no acervo, inicialmente a partir dos conteúdos textuais dos depoimentos. Entre suas possibilidades estão resumos, transcrições, identificação de termos relacionados e organização de informações. O projeto prevê ainda a transcrição integral dos mais de 1.100 depoimentos, ampliando o acesso a esse patrimônio documental.
A tecnologia, entretanto, não substitui o acervo físico. Em 2026, a F.MIS incorporou a Coleção Hermogêneo Rangel, com mais de 30 itens relacionados ao cineasta e produtor brasileiro, além de participar, em parceria com o Centro Técnico Audiovisual (CTAv), da recuperação e digitalização de fragmentos cinematográficos.
Essa combinação entre preservação e criação também aparece na programação cultural. Exposições, sessões do CineMIS, debates, saraus, homenagens e encontros transformam o acervo em matéria para novas leituras. Na exposição Carnaval: Uma Paixão Carioca, por exemplo, a história da festa popular foi aproximada de uma experiência interativa com inteligência artificial.
A atuação da Fundação ainda se estende por meio de parcerias, intercâmbios e ações fora de suas sedes, incluindo iniciativas com instituições de outros estados e aproximações internacionais, como o intercâmbio cultural com a Argentina.
Aos 61 anos, o MIS parece compreender que preservar não significa congelar o passado. Significa mantê-lo disponível para novas perguntas, novas tecnologias e novas gerações. Entre películas, vozes, fotografias e algoritmos, a instituição segue fazendo da memória um território em permanente movimento.
61 anos de histórias, imagens, vozes e sons. O MIS preserva a memória cultural brasileira enquanto experimenta novas formas de pesquisar, compartilhar e manter esse patrimônio vivo. #MemóriaCultural #CulturaBrasileira
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