Carga de cigarros é apreendida em Itatiaia, e ida de chefe de gabinete ao posto fiscal chama atenção
Apreensão ocorreu após ação baseada em inteligência
Carga de cigarros é apreendida em Itatiaia, e ida de chefe de gabinete ao posto fiscal chama atenção
Apreensão ocorreu após ação baseada em inteligência
A manhã de quarta-feira (16) terminou com uma carga de 5.700 maços de cigarros retida no Posto Fiscal de Nhangapi, em Itatiaia, no Sul Fluminense. A apreensão foi realizada por agentes da Operação Foco, do Gabinete de Segurança Institucional do Estado do Rio de Janeiro (GSI-RJ), em uma ação conjunta com a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz-RJ).
O veículo foi abordado depois que informações de inteligência direcionaram a atuação dos agentes. Segundo o relato da operação, o utilitário passava pela área externa das cabines de fiscalização quando recebeu ordem de parada. A partir daí, os agentes iniciaram a conferência da carga e da documentação apresentada pelo motorista.
Foi durante essa verificação que surgiram as primeiras inconsistências. Os documentos apresentavam divergências relacionadas à procedência dos cigarros, levando à retenção da mercadoria. O material deverá ser encaminhado à Receita Federal, responsável pela análise da documentação, da origem e da regularidade dos produtos.
Até aqui, trata-se de uma fiscalização que segue os procedimentos previstos para cargas com documentação considerada irregular. O episódio, porém, ganhou um novo elemento no dia seguinte.
Na quinta-feira (17), Douglas Rodrigues Barros, chefe de gabinete da deputada estadual Sarah Pôncio (Solidariedade), esteve no posto fiscal onde a apreensão havia ocorrido. Ele chegou ao local em um veículo identificado com placa da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e, segundo as informações divulgadas sobre o caso, procurou obter detalhes a respeito da ocorrência.
Outro ponto mencionado na documentação relacionada à carga envolve a empresa indicada como remetente dos cigarros. Entre os sócios da companhia está Jonathan Couto de Souza, ex-marido da deputada Sarah Pôncio e ex-genro de Márcio Pôncio, pai da parlamentar.
A conexão societária, por si só, não estabelece responsabilidade sobre a carga apreendida. Também não há, nas informações apresentadas, indicação de que a deputada ou seu chefe de gabinete tenham sido apontados pelos agentes como responsáveis pelas irregularidades encontradas no carregamento.
O que permanece é a sequência dos acontecimentos: uma carga interceptada a partir de dados de inteligência, divergências documentais, uma empresa remetente com vínculo familiar citado na apuração e, menos de 24 horas depois, a presença de um assessor parlamentar no mesmo posto fiscal em busca de informações.
A mercadoria agora segue para análise da Receita Federal. É nessa etapa que documentos, origem e regularidade dos produtos poderão esclarecer o que, até o momento, permanece como um conjunto de fatos ainda em apuração.
Uma carga apreendida, documentos sob análise e uma visita ao posto fiscal no dia seguinte. Os detalhes da ocorrência em Itatiaia levantam novas perguntas sobre a origem da mercadoria. 🔎 #InvestigaçãoCriminal #JornalismoInvestigativo
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