Cannabis no esporte exige atenção a doping, composição e uso do CBD
CBD permitido não elimina os riscos para atletas
Cannabis no esporte exige atenção a doping, composição e uso do CBD
CBD permitido não elimina os riscos para atletas
Entre treinos intensos, lesões recorrentes e a busca por alternativas para controlar dores, produtos derivados da cannabis passaram a despertar interesse entre atletas. O uso terapêutico, entretanto, exige atenção redobrada quando o competidor está sujeito a regras antidopagem. Nesse cenário, uma escolha aparentemente clínica pode também ter implicações esportivas.
O primeiro ponto é separar tratamento de desempenho. Segundo Ricardo Guimarães, porta-voz da CBD Brasil e fonte especializada em educação sobre cannabis medicinal, não há evidência consistente de que a cannabis melhore a performance esportiva. Estudos também apontam possíveis prejuízos associados ao consumo antes do exercício, incluindo alterações no equilíbrio e na capacidade de sustentar esforços.
A questão ganha outra dimensão quando se observa a regulamentação. A Lista de Substâncias e Métodos Proibidos de 2026, adotada pela Agência Mundial Antidoping (WADA) e disponibilizada no Brasil pela Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), mantém os canabinoides entre as substâncias proibidas durante o período de competição.
O CBD, especificamente, é uma exceção. Isso, porém, não transforma todo produto comercializado como “CBD” em uma opção automaticamente segura para quem compete.
Óleos de espectro completo podem conter THC e outros canabinoides. Além disso, diferenças entre a composição declarada e o conteúdo efetivo, contaminações e falhas de rastreabilidade podem aumentar a exposição a substâncias proibidas.
Existe ainda o princípio da responsabilidade objetiva no sistema antidopagem: o atleta pode responder pela presença de uma substância proibida em seu organismo independentemente da intenção. Uma prescrição médica ou o uso terapêutico, portanto, não elimina automaticamente as consequências de um resultado analítico adverso.
Outro cuidado está na diferença entre autorização sanitária e permissão esportiva. Um produto regularizado para uso no país pode conter componentes incompatíveis com as regras de uma competição. Quando uma substância proibida é clinicamente necessária, o atleta pode precisar solicitar uma Autorização de Uso Terapêutico (AUT). A receita, por si só, não equivale à autorização.
Também não existe um prazo universal para considerar um produto “seguro” antes de uma competição. Metabolismo, dose, frequência, duração do tratamento, composição e características individuais influenciam a eliminação e a possibilidade de detecção.
Para atletas, a decisão deve envolver avaliação médica, análise da composição e procedência do produto, consulta à lista antidopagem vigente e verificação das regras da modalidade e do evento. Quando necessário, a equipe médica e os responsáveis antidopagem também devem participar da decisão.
No esporte de alto rendimento, informação não é detalhe. É parte da proteção do atleta. E, quando saúde e regulamentação se encontram, o cuidado começa antes mesmo de qualquer substância chegar ao organismo.
CBD é permitido pela lista antidopagem, mas isso não significa que todo produto de cannabis seja seguro para atletas. Composição, procedência, orientação médica e regras da competição precisam entrar na conta. 🏃♂️⚕️ #SaúdeEsportiva #Antidoping
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