Lucia Murat revisita a história da ditadura em documentário que estreia no Festival do Rio 2026
Lucia Murat revisita a história da ditadura em documentário que estreia no Festival do Rio 2026
Road movie percorre o sertão baiano em busca da memória de Lamarca e Zequinha.
Há histórias que o tempo não consegue apagar. Algumas permanecem guardadas em fotografias, manchetes antigas e lembranças de quem sobreviveu. É nesse território entre memória, história e cinema que Lucia Murat conduz “O Sertão das Nossas Memórias”, documentário que acaba de ganhar cartaz e teaser oficiais, divulgados pela Taiga Filmes e pela distribuidora Imovision.
Com estreia mundial marcada para 2 de outubro, no Festival do Rio 2026, o longa integra a Première Brasil: Competição de Longas-metragens Documentário e disputa o Troféu Redentor. A produção propõe uma viagem de aproximadamente dois mil quilômetros, do Rio de Janeiro ao sertão da Bahia, para revisitar um dos episódios menos conhecidos da resistência à ditadura militar brasileira.
Dirigido e roteirizado por Murat, o filme reúne três sobreviventes daquele período: a própria cineasta, Paulo Jabur e João Lopes Salgado. Na estrada, os antigos militantes, hoje na faixa dos 80 anos, compartilham recordações sobre a perseguição e a morte do capitão Carlos Lamarca e de José Campos Barreto, conhecido como Zequinha, liderança operária e integrante da luta armada.
A escolha narrativa aposta na intimidade. Em vez de entrevistas tradicionais, Lucia registra conversas espontâneas durante o percurso, permitindo que as lembranças surjam com a naturalidade de quem compartilha uma história entre companheiros de viagem. A fotografia de Dudu Miranda acompanha essa proposta, aproximando o espectador dos personagens e de suas experiências.
“Decidimos não fazer entrevistas formais, mas irmos registrando as memórias de ex-militantes”, explica a diretora, ao destacar a construção de uma linguagem documental que aproxima o público dos acontecimentos.
O longa também incorpora fotografias, imagens de arquivo, manchetes, cartazes e vídeos da época. O material ajuda a reconstruir o contexto da perseguição e a recuperar uma história marcada pela violência e pelo silêncio.
Mas o documentário não se limita ao passado. Em Pintada e Brotas de Macaúbas, cidades baianas ligadas à tragédia, a população transformou a lembrança em manifestação coletiva. Depois de anos de medo e esquecimento, moradores passaram a realizar missas e romarias anuais em homenagem a Lamarca e Zequinha, no dia 17 de setembro, data das mortes e feriado local.
Para Lucia, essa realidade contemporânea estabelece um contraponto à tensão dos anos 1970, revelando como a memória também pode se transformar em participação democrática.
Entre arquivos, relatos e paisagens do sertão, “O Sertão das Nossas Memórias” chega ao Festival do Rio como um encontro entre cinema e história, recuperando vozes que continuam a dialogar com o presente.
Uma viagem pelo sertão, três sobreviventes e uma história que o Brasil precisa revisitar. 🎬 Lucia Murat apresenta “O Sertão das Nossas Memórias” no Festival do Rio 2026. #FestivalDoRio #CinemaBrasileiro
disponível para venda na Amazon: https://a.co/d/0gDgs0S


Deixe uma resposta