Com produtores de tabaco descontentes, Habanos SA comemora receita de mais de 800 milhões de dólares em 2024
Com produtores de tabaco descontentes, Habanos SA comemora receita de mais de 800 milhões de dólares em 2024
A Habanos SA, monopólio do tabaco cubano, registrou um faturamento de US$ 827 milhões em 2024, um crescimento de 16% em relação ao ano anterior. Apesar dos números positivos, os produtores de tabaco da ilha demonstram insatisfação com os contratos impostos pelo Estado, destacando dificuldades no setor agrícola.
Crescimento de vendas e expansão global
Em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (26) no Centro de Convenções de Havana, evento que marcou o início da 25ª edição do Festival do Habano (24 a 28 de fevereiro), o vice-presidente comercial da empresa, Jorge Pérez, revelou que a marca fechou o ano com 4.705 pontos de venda especializados ao redor do mundo. Desses, destacam-se 21 Cohiba Atmosphere, 168 Casas del Habano, 602 Habanos Terras, 1.321 Habanos Especialistas e 2.600 Habanos.
O festival deste ano, um dos mais exclusivos de Cuba, celebra o 15º aniversário da Linha Behíke da Cohiba, uma das mais luxuosas e caras do mercado. O evento conta com um número recorde de participantes, reunindo 3.300 pessoas de 110 países. A programação inclui palestras, o concurso Habanos World Challenge, visitas às plantações de Pinar del Río e às fábricas de charutos Partagás, H. Upmann e Corona, além do tradicional leilão beneficente para o sistema de saúde cubano.
Desafios e insatisfação no setor agrícola
Apesar do sucesso comercial, o setor produtivo de tabaco em Cuba enfrenta sérios desafios. A ilha já não é considerada a produtora dos melhores charutos do mundo, perdendo espaço para a República Dominicana, conforme análise publicada em 2023 pelo The Spectator.
A produção cubana tem sido impactada por falhas no planejamento, atrasos nos pagamentos aos agricultores e escassez de insumos. Em Sancti Spíritus, segunda maior região produtora do país, as autoridades reduziram pela metade a previsão de colheita para 2024, refletindo a crise enfrentada pelo setor. O diretor agrícola da Empresa de Coleta e Processamento de Fumo da província, Isidro Hernández Toledo, descreveu a situação como um cenário de baixa rentabilidade, envelhecimento dos produtores, abandono de terras e falta de mão de obra.
Futuro incerto
O contraste entre o sucesso comercial da Habanos SA e as dificuldades dos produtores evidencia as contradições do modelo econômico cubano. Enquanto a marca se expande globalmente e fatura cifras milionárias, a base produtiva luta para se manter. A crise na agricultura do tabaco levanta questionamentos sobre a sustentabilidade do setor e a capacidade do governo cubano de atender às demandas dos produtores.
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