Microplásticos ameaçam áreas marinhas protegidas no Brasil
Microplásticos ameaçam áreas marinhas protegidas no Brasil
Um estudo alarmante revelou que até mesmo as áreas marinhas protegidas (AMPs) mais restritivas do Brasil estão contaminadas por microplásticos. Cientistas brasileiros e australianos utilizaram ostras e mexilhões como bioindicadores para detectar a presença desses poluentes, e os resultados foram divulgados na revista Environmental Research.
Microplásticos: uma contaminação invisível
Os pesquisadores analisaram dez áreas de proteção integral, incluindo locais icônicos como o Atol das Rocas, Fernando de Noronha e Abrolhos. Apesar das restrições à presença humana, todas as regiões apresentaram contaminação por microplásticos. O material chega a esses ecossistemas por meio das correntes oceânicas e do transporte atmosférico.
A maior concentração foi encontrada no Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes, enquanto o Atol das Rocas registrou os menores índices de poluição. Em comparação com áreas urbanizadas, como Santos e algumas praias do Rio de Janeiro, as AMPs possuem contaminação significativamente menor, mas ainda preocupante.
Origem e impacto dos poluentes
A análise identificou os principais componentes dos microplásticos presentes nas AMPs:
- Polímeros alquídicos (28,1%) – Usados em tintas e vernizes de embarcações.
- Celulose (21%) – Pode ter origem natural ou vir de papel, embalagens e resíduos urbanos.
- PET (14%) – Presente em embalagens plásticas e fibras sintéticas.
- Teflon (12,3%) – Utilizado em revestimentos antiaderentes e industriais.
Moluscos bivalves foram escolhidos como bioindicadores porque filtram grandes volumes de água, acumulando contaminantes e fornecendo um retrato mais fidedigno da poluição marinha.
Medidas globais são essenciais
A existência das AMPs, por si só, não é suficiente para barrar a contaminação por plástico. A solução requer gestão ambiental eficaz, fiscalização rigorosa e, sobretudo, acordos internacionais. O Tratado Global dos Plásticos, atualmente em discussão sob a coordenação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), surge como uma esperança para mitigar essa poluição invisível, mas devastadora.
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