Entre táticas e pressões: livro sobre treinadores ganha destaque no CCPJ
Debate une futebol, cultura e bastidores
Por algumas horas, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro trocou o silêncio habitual por conversas típicas de mesa-redonda. No Auditório Desembargador Nelson Ribeiro Alves, o Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ) abriu espaço para um tema que mobiliza paixões nacionais: o futebol. O encontro marcou o lançamento do livro Modelo de trabalho: a jornada de um treinador profissional no Brasil.
A obra, assinada pelo jornalista Roberto Maleson e pelo técnico Eduardo Barroca — que comandou o Botafogo em 2019 — propõe um mergulho na formação, nas rotinas e nos dilemas de quem vive à beira do campo. Mais do que discutir esquemas táticos, o livro revela como decisões técnicas se entrelaçam com aspectos pessoais e emocionais, repercutindo diretamente na vida de milhões de torcedores.
Antes do debate, a desembargadora Cristina Tereza Gaulia, responsável pelo CCPJ, ressaltou a diversidade temática promovida pelo centro cultural. Um vídeo com lances emblemáticos da Seleção Brasileira abriu a programação e evocou memórias afetivas. “Onde entra a cultura, aparece o esporte. E, principalmente, um esporte que é a alma do povo brasileiro, que é o futebol”, destacou.
Com mediação do desembargador Marcus Henrique Pinto Basílio, o encontro reuniu Roberto Maleson, o jornalista esportivo Maurício Fonseca e a oficial de justiça Adriana de Souza Barroca, revisora da obra e irmã do treinador. Barroca, atualmente à frente do CRB, participou por vídeo, em razão de compromissos profissionais.
Maleson reforçou que o livro não pretende ser um manual, mas um registro honesto das engrenagens invisíveis que sustentam o trabalho dos treinadores. “A intenção é compartilhar experiências e ampliar a compreensão sobre o cotidiano da profissão”, explicou. A publicação reúne relatos de cerca de 40 técnicos do país, entre eles Zé Ricardo, ex-Flamengo, que também contribuiu com reflexões sobre a instabilidade característica do cargo.
Durante o debate, comparações surgiram. O desembargador Basílio destacou que, assim como juízes, treinadores lidam com pressões constantes e julgamentos públicos. Maurício Fonseca acrescentou que as redes sociais ampliaram essa cobrança, tornando decisões técnicas ainda mais expostas.
Adriana Barroca trouxe a dimensão familiar da profissão, marcada por deslocamentos e incertezas. A distância da família, a pressão por resultados e a possibilidade de demissão repentina compõem o cenário descrito nas páginas do livro.
Ao unir direito e literatura para discutir futebol, o CCPJ reafirmou que o esporte também é território de reflexão. No fim, ficou a sensação de que, por trás de cada apito final, existe uma história muito maior do que o placar.
Nem só de gols vive o futebol. Bastidores também contam história. ⚽📚 #FutebolBrasileiro
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