Dragão do Mar transforma março em território de mulheres e encantarias
Programação gratuita celebra mestras e artistas
Março chega como vento que vira a página do calendário e abre espaço para vozes que nunca deixaram de ecoar. No Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza, o Mês da Mulher ganha contornos de celebração e afirmação territorial com uma programação diversa e gratuita que atravessa música, tradição popular, formação crítica e autocuidado. No centro dessa constelação está a segunda edição de As Guardiãs das Encantarias, iniciativa que coloca mestras da cultura e lideranças quilombolas no foco do debate.
Ao longo do mês, a Arena Dragão do Mar se torna pista e palco. O Fuxico Musical reúne DJs como Negona, Indira Leite e Bugzinha, celebrando protagonismos femininos que transitam entre sonoridades pretas, periféricas e LGBTQIAP+. No dia 8, o Sound System no Dragão ocupa a Praça Verde sob o comando de Vladia Soares, primeira mulher a liderar um sound system em Fortaleza, conectando reggae, resistência e empreendedorismo feminino.
A música instrumental também ganha espaço com Joana Lima e, no encerramento do mês, com a artista sonora Clarisse Aires. Já a cantora Nega Lu apresenta o show “Brasilidades”, costurando samba, baião e matrizes afro-brasileiras em um repertório autoral que reafirma identidade e potência criativa.
Mas é nas rodas de conversa das Guardiãs das Encantarias que o território se faz palavra. No dia 14, a Praça Verde recebe o encontro “Mãos que Tecem, Ervas que Curam: Saberes da Encantaria”, reunindo Mestra Sandra e Mestra Tica, com mediação da pesquisadora Joseli Cordeiro. A data dialoga simbolicamente com o aniversário de Carolina Maria de Jesus, evocando a força das mulheres negras na construção da memória brasileira.
No dia 21, a roda “No balanço das encantarias quilombolas” reúne Mestra Maria de Tiê e Mestra Socorro, referências culturais de comunidades quilombolas do Ceará. A conversa se transforma em celebração de práticas ancestrais que resistem nas serras e sertões.
A programação se amplia com o ciclo formativo “Março em Travessia”, do Museu de Arte Contemporânea do Ceará, e com o NAT DIVAS, que leva cultura e serviços de autocuidado às comunidades vizinhas, fortalecendo vínculos e autoestima.
No Dragão do Mar, março não é apenas homenagem. É presença ativa, memória viva e afirmação de que cultura, território e mulher são palavras que caminham juntas — e continuam abrindo caminhos.
Março é delas: arte, território e encantaria no Dragão do Mar. 🌺✨ #MesDaMulher #CulturaNordestina
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