Mano a Mano retorna com Paulinho da Costa e celebra o saber contínuo
Podcast reabre temporada com ícone da música
Há algo de ritual no retorno de certas vozes. Como quem ajusta o volume da própria escuta, o público reencontra o Mano a Mano em 2026 com a sensação de que algumas conversas não podem esperar. O podcast, conduzido por Mano Brown e Semayat Oliveira, retoma sua sexta temporada reafirmando o espaço que construiu: um território de diálogo onde cultura, música e pensamento caminham lado a lado.
Para abrir essa nova etapa, o convidado não poderia ser mais simbólico. Paulinho da Costa, percussionista brasileiro reverenciado nos bastidores e nos grandes palcos do mundo, chega ao programa trazendo mais do que histórias — oferece perspectiva. Com uma trajetória que atravessa décadas e colaborações com nomes centrais da música internacional, ele carrega a autoridade de quem viveu intensamente cada compasso.
Mas o que marca sua participação não é apenas o currículo. É o modo como ele olha para o próprio caminho. Em um dos momentos mais contundentes da conversa, Paulinho sintetiza uma filosofia que parece guiar sua jornada: a disposição permanente para aprender. A fala, simples e direta, desmonta qualquer ideia de ponto de chegada. Para ele, o conhecimento não é acúmulo, mas movimento.
A conversa avança e toca em memórias que ampliam esse retrato. Ao relembrar sua convivência com Michael Jackson, que o descreveu como o melhor percussionista do mundo, Paulinho não se detém no elogio. Prefere revelar o artista por trás do mito. Fala de um criador inquieto, envolvido nos processos, atento aos detalhes — alguém que construía muito além do que o público via. É nesse tipo de lembrança que o episódio ganha densidade: não apenas pela informação, mas pela forma como ela humaniza figuras históricas.
O retorno do Mano a Mano segue fiel à sua proposta original. Não se trata apenas de entrevistar, mas de criar encontros que permitam atravessar camadas — da técnica à emoção, da memória ao presente. A escolha de Paulinho da Costa como ponto de partida reforça esse compromisso com conversas que não se esgotam na superfície.
Ao fim, fica a sensação de continuidade. Como uma boa música que não termina, apenas se transforma, o podcast volta a ocupar seu espaço lembrando que ouvir também é um exercício de construção. E que algumas histórias, quando bem contadas, seguem reverberando muito depois do último acorde.
Quando a música encontra a experiência, o silêncio vira aprendizado. #PodcastBrasil
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