Brasil envelhece mais rápido do que previne problemas bucais
Impacto da saúde oral compromete qualidade de vida dos idosos
Publicado em 02/07/2026 por Linkezine em SAÚDE // 1 comentário
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Brasil envelhece mais rápido do que previne problemas bucais
Impacto da saúde oral compromete qualidade de vida dos idososO Brasil envelhece em ritmo acelerado. Entre 2012 e 2024, o número de pessoas com 60 anos ou mais saltou de 22 milhões para 34,1 milhões, segundo o IBGE — um crescimento de 53,3%. Mas enquanto a longevidade avança, a prevenção odontológica ainda caminha atrás. O resultado é uma falha silenciosa que compromete alimentação, autonomia e saúde geral dos idosos.
Para a cirurgiã-dentista Cristiane Vasconcellos, diretora da clínica Odontolar, especializada em atendimento a idosos e pacientes com mobilidade reduzida, o problema está na busca tardia por cuidados. “Muitos chegam ao consultório em estágio avançado de doença, com infecções, perdas dentárias extensas e dificuldades de mastigação. Grande parte poderia ser evitada com acompanhamento preventivo”, afirma.
As projeções do IBGE indicam que até 2070 os idosos representarão 37,8% da população. A expectativa de vida também cresce: quem alcança os 60 anos hoje pode viver, em média, mais 22,6 anos. Esse cenário amplia a urgência de integrar a saúde bucal ao cuidado integral.
Os impactos da negligência vão além da estética. Dores crônicas, inflamações gengivais e dificuldades para mastigar reduzem independência e podem levar ao isolamento social. Muitos idosos passam a restringir a dieta, substituindo frutas e carnes por alimentos pastosos, menos nutritivos. Isso compromete o estado nutricional e agrava doenças crônicas como diabetes e problemas cardiovasculares.
Entre pacientes acamados ou com deficiência, o desafio é ainda maior. A higiene bucal diária e o acesso ao atendimento tradicional tornam-se limitados. “Famílias concentram esforços em consultas médicas e fisioterapia, mas a saúde bucal fica em segundo plano. Isso aumenta riscos de infecção e dor”, alerta Vasconcellos.
A especialista reforça que prevenção custa menos do que tratar complicações. Diagnósticos precoces e acompanhamento contínuo preservam função e autonomia. “Estamos vivendo mais. O desafio é envelhecer com dignidade, mantendo alimentação adequada, comunicação e vida social. A saúde bucal faz parte dessa equação”, conclui.
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