Clarice Lispector volta ao palco em experiência teatral que transforma palavras em encontro vivo
Monólogo intimista ocupa o Armazém da Utopia.
Clarice Lispector volta ao palco em experiência teatral que transforma palavras em encontro vivo
Monólogo intimista ocupa o Armazém da Utopia.
Há obras que atravessam o tempo sem perder a capacidade de inquietar. Os textos de Clarice Lispector pertencem a esse raro território em que a literatura deixa de ser apenas leitura para se tornar experiência. No palco, esse universo ganha novos contornos com “Palavras”, espetáculo da Companhia Ensaio Aberto que convida o público a mergulhar em uma travessia sensorial marcada pela força da linguagem, do silêncio e da presença.
Em cartaz desde maio na Sala Sérgio Britto, no Armazém da Utopia, na Zona Portuária do Rio de Janeiro, o monólogo protagonizado por Tuca Moraes terá uma apresentação especial no sábado, 18 de julho, às 19h. Depois da sessão extra, o espetáculo retorna para suas últimas apresentações nos dias 6 e 13 de agosto, encerrando uma temporada que tem atraído espectadores em busca de uma vivência teatral intimista e profundamente autoral.
Inspirada na obra de Clarice Lispector, a montagem abandona a narrativa convencional para construir uma dramaturgia em permanente transformação. Em cena, Tuca Moraes percorre um fluxo de palavras, memórias, pensamentos e sensações que parecem nascer diante do público. Cada apresentação assume um caráter singular, impulsionada pelo diálogo constante entre atriz, direção, iluminação e sonoplastia.
A direção de Luiz Fernando Lobo aposta no risco como elemento criativo. Durante a encenação, som e luz não funcionam apenas como recursos técnicos, mas como estímulos que provocam novas respostas da atriz, tornando cada sessão um acontecimento irrepetível. O teatro deixa de oferecer certezas para se afirmar como espaço de experimentação — conceito tão presente na escrita clariceana.
A atmosfera é reforçada pelo espaço cênico concebido por J. C. Serroni. Com capacidade para apenas 40 espectadores por sessão, a Sala Sérgio Britto aproxima público e intérprete, criando uma experiência quase confidencial. A iluminação assinada por Cesar de Ramires e os figurinos de Beth Filipecki e Renaldo Machado contribuem para uma encenação que privilegia a delicadeza dos gestos e a potência das palavras.
Segundo Tuca Moraes, interpretar Clarice significa aceitar o desconhecido. A atriz descreve o espetáculo como um mergulho sem garantias, sustentado apenas pela confiança construída com a direção e pela entrega ao encontro com cada plateia. É justamente essa imprevisibilidade que torna cada apresentação única.
Mais do que adaptar textos de uma das maiores escritoras brasileiras, “Palavras” propõe uma reflexão sobre o próprio ato de existir. Em tempos de discursos acelerados e respostas imediatas, a montagem convida o espectador a desacelerar, escutar e sentir. No palco, Clarice continua fazendo o que sempre fez: provocar perguntas que permanecem ecoando muito depois do apagar das luzes.
Clarice Lispector ganha voz, corpo e silêncio no palco. Uma experiência teatral para sentir, refletir e viver cada palavra. ✨📖 #TeatroBrasileiro #CulturaRJ
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